quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MP pede que Perugini perca o cargo

Promotoria sustenta que houve conivência por parte do prefeito em irregularidades em contratação de empresa de limpeza

O Ministério Público pediu à Justiça de Hortolândia que o prefeito Ângelo Augusto Perugini (PT) perca o cargo ocupado no Executivo e tenha os direitos políticos suspensos de oito a dez anos. O motivo é que Perugini teria sido conivente com irregularidades cometidas na contratação e execução de serviços da O. O. Lima Empresa Limpadora Ltda. O MP encaminhou ao Poder Judiciário uma ação civil pública afirmando que as irregularidades teriam causado prejuízo de mais de R$ 2,9 milhões ao erário público e enriquecimento ilícito dos envolvidos.

A representação foi feita contra a O. O. Lima, pessoas ligadas à limpadora (entre elas, José Carlos Cepera, apontado com líder do esquema de fraudes), o ex-secretário de Administração Marcelo Borges, e a ex-diretora do Departamento de Recurso Humanos, Elisabete Aparecida de Paula Lúcio, além de Perugini.

A apuração da Promotoria, liderada pelo promotor Marcelo Di Giácomo Araújo, baseou-se em interceptações telefônicas realizadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado). "Não há gravações falando expressamente que eles (Perugini e Borges) receberam dinheiro. Mas há conversas entre pessoas do grupo que controla a empresa O. O. Lima, mencionando pagamento de valores a servidores de Hortolândia", explicou Araújo, em entrevista ao LIBERAL na tarde de ontem. "Pra mim, a soma destes fatores leva a crer que tanto o prefeito quanto o secretário foram coniventes com essa fraude". Ele não revelou de quem eram os diálogos.

A O. O. Lima é investigada por fraudar e obter benefícios em licitações ocorridas em diversas cidades, entre elas, Hortolândia. O promotor explicou que o caso chegou à cidade após uma investigação do Gaeco, em setembro de 2010. Segundo ele, a apuração do grupo apresentou indícios da existência de uma organização que comandava várias empresas responsáveis por fraudar contratos e licitações públicas para obter vantagens financeiras. "Isso envolvia oferta para que outras empresas não competissem e pagamento de propinas para servidores públicos", afirmou o promotor.

Em Hortolândia, Araújo entendeu que o contrato firmado em 2009 entre a empresa e a Prefeitura não foi executado de maneira correta. De acordo com ele, os serviços executados por funcionários da O. O. Lima não eram pagos com base nas horas trabalhadas, e sim com base em 220 horas, independente do encargo. Com isso, o pagamento acima do normal à empresa teria acumulado um prejuízo de R$ 2,9 milhões. O promotor ressalta que, logo após o caso se tornar público, em setembro de 2010, a Prefeitura coincidentemente regularizou a forma de pagamento.

Contrato foi rompido no ano passado

A Prefeitura de Hortolândia, por meio do Departamento de Comunicação, informou que ainda não foi notificada a respeito da ação movida pelo Ministério Público. De acordo com o Departamento, a Secretaria de Assuntos Jurídicos vai entrar em contato com o MP hoje para conhecer o teor das denúncias e ver no que se baseou o promotor. A partir do momento em que tiver conhecimento, ela deve se pronunciar oficialmente. O contrato com a O. O. Lima foi rompido em julho do ano passado. Na noite de ontem, a reportagem procurou pela assessoria de imprensa da O. O. Lima, mas foi informada por uma funcionária de que deveria retornar a ligação hoje.

Em dezembro, vereadores de Hortolândia arquivaram a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investigava as possíveis irregularidades e fraudes na contratação e execução de serviços da empresa. Os parlamentares alegaram falta de provas. De acordo com o relatório final lido na sessão, "durante o processo investigativo, as citações de agentes políticos ou servidores foram evasivas e sem comprometimento e não foi apresentado nenhum ato ou fato ilegal".

O Liberal, 29/02/2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Faltam ações concretas para melhorar o trânsito da RPT

Maior parte das intervenções no trânsito da região resume-se a pinturas de solo e mudança de direção de ruas

São 18h30 de uma quarta-feira pré-Carnaval na Avenida de Cillo, em Americana, e dezenas de carros se amontoam pelas faixas da via.Num intervalo de aproximadamente um minuto, o trânsito esboça um fluxo lento, que faz com que os motoristas cheguem até a segunda marcha, percorram alguns metros e, então, voltem a por o pé no freio. Nessa hora, não é difícil imaginar o que se passa na cabeça dos condutores, muitos deles, estafados pela rotina de trabalho. "Desse jeito eu não chego nunca. Devia ter vindo por outro caminho", praguejam a si mesmos. Enquanto os problemas de trânsito se tornam características das cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), não há qualquer iniciativa concreta e animadora por parte das Administrações de que a situação vá ser resolvida, ou amenizada. Olhando pelo retrovisor, a tendência é ver a fila aumentar.

"Parece São Paulo" é uma frase que já deve ter sido dita há alguns anos no trânsito dos municípios da região. A diferença, no entanto, é que na Capital há um plano. Preocupado com a crescente frota de veículos ao longo dos anos e a consequente demora em percorrer trechos relativamente curtos, o consórcio intermunicipal que engloba sete cidades da região de São Paulo decidiu contratar um Plano de Mobilidade Regional. Além de procurar minimizar o caos no trânsito, a medida cumpre a lei sancionada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff, que define que todo município com mais de 20 mil habitantes tenha um plano de mobilidade.

Gestão participativa

Por aqui, segundo informações passadas pelas secretarias municipais (com exceção de Sumaré, que não respondeu à reportagem), as ações são pontuais e em curto prazo, levando em conta, inclusive, a participação e opinião dos usuários, como em Americana e Hortolândia. De acordo com o secretário de Transporte e Sistema Viário (Setransv) de Americana, Jesuel de Freitas, a Administração tem adotado o sistema de gestão participativa. Os problemas são debatidos com a comunidade e os projetos são apresentados antes das alterações.

Em Hortolândia, a população colaborou na elaboração de um plano viário municipal. "O plano norteia as ações para melhorar o sistema de trânsito e transporte da cidade. A Administração encaminhará o projeto para apreciação da Câmara de Vereadores com o objetivo de transformá-lo em lei", informou o secretário de Planejamento Urbano, Ronaldo Alves dos Reis. Para melhorar o sistema viário da cidade, a Prefeitura de Hortolândia ressalta que realiza o prolongamento e abertura de novas vias. Um dos pontos que mais sofrem com o problema, a Avenida da Emancipação, principal via de acesso à cidade pela Rodovia SP-101, começou a ser duplicada na virada do ano. O deslocamento no município também é prejudicado pelo fato de ser cortado pelo Ribeirão Jacuba. Com isso, a presença das pontes para fazer a ligação entre os bairros deve aumentar. Está em licitação a construção de mais cinco, além da milionária Ponte Estaiada.

Situação remediada

Na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, a situação do trânsito é remediada com a manutenção da malha viária, implantação e informatização do sistema de estacionamento rotativo da área central, blitz educativa, campanhas de conscientização, entre outras ações. Da mesma forma, Nova Odessa investe em redutores de velocidade, semáforos e fiscalização, com o objetivo, principalmente, de evitar acidentes. O Setor de Trânsito do município faz levantamento dos locais que ocorrem os maiores números de acidentes de trânsito e, nestes locais são colocadas em prática medidas que para reduzir estes números. As medidas incluem desde a colocação de um redutor de velocidade a uma mudança na mão de direção de trânsito.

Questionadas, nenhuma das secretarias citou estudos, participações em comissões sobre o assunto ou elaborações de planos em longo prazo. A reportagem também tentou obter a previsão dos valores investidos nos trabalhos relacionados ao trânsito nas cidades. Hortolândia respondeu R$ 5 milhões. Nova Odessa afirmou que necessitaria fazer um levantamento mais aprofundado para chegar ao valor real do orçamento do ano. Sumaré, Santa Bárbara e Americana não responderam.

Frota cresceu 117,5% em dez anos em média na região
A cidade com maior crescimento foi Hortolândia, saltando de 24.313 para 68.779 automóveis, ou seja, 183%

Entre as justificativas aos problemas do tráfego nas cidades, as secretarias responsáveis citaram o crescimento constante da frota de veículos. De acordo com estatísticas do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), num período de 10 anos, o número de automóveis mais do que dobrou nos cinco municípios da RPT (Região do Polo Têxtil). Em 2001, o Departamento contabilizou 214.670 automóveis. Em janeiro deste ano, o número chegou a 466.909, um crescimento de 117,5%.

A cidade com maior crescimento foi Hortolândia. De 24.313, passou para 68.779 automóveis, um aumento de 183%. O secretário de Planejamento Urbano, Ronaldo Alves dos Reis, justifica. "Hortolândia apresenta um alto crescimento da frota por causa do desenvolvimento econômico da cidade". A Rua Luiz Camilo de Camargo, cercada de comércios na região central, é um retrato do avanço econômico, aliado ao fluxo intenso de veículos. No entanto, para o secretário, os problemas no tráfego se dão pelo fato de as ruas e avenidas da cidade serem curtas e estreitas, sem conexão direta das vias entre os bairros.

A Sesetran (Secretaria de Segurança e Trânsito e Defesa Civil), de Santa Bárbara, admite que a cidade não está preparada para o crescimento da frota. "Como a maior parte dos municípios brasileiros, Santa Bárbara também não foi planejada levando em consideração o crescimento da frota de veículos", informou a pasta. Na cidade, o número de veículos dobrou nos últimos dez anos.

Americana, que teve um crescimento de 92% na frota, alega que a dificuldade em amenizar os problemas do trânsito está ligada à fragmentação e descontinuidade do desenho viário do município, atribuída a barreiras físicas como rios e rodovias que cortam a cidade. "A pequena extensão territorial traz dificuldade de planejamento e equacionamento entre o volume de veículos e os espaços disponíveis à mobilidade", afirmou o secretário Jesuel de Freitas.

Especialista sugere prioridade para o transporte coletivo
Planejamento deve atender o imediato, o médio e o longo prazo para conseguir bons resultados

Para o especialista em gestão de trânsito, professor Sylvio Moraes, o planejamento do trânsito nas cidades da região devem atender a requisitos mínimos. Um deles é dar prioridade ao transporte coletivo e, inclusive, estimular meios alternativos de locomoção, como o uso de bicicletas, algo quase nulo na região.

Outro requisito apontado por Moraes é estabelecer a demanda futura das cidades pensando no crescimento econômico iminente. "A região é potencialmente industrial, o que inclui obrigatoriamente a previsão das interligações com as rodovias. A malha rodoviária na região é grande. Estes acessos devem ser muito bem planejados, pensando no futuro. A tendência é o crescimento da frota. Isto implica o crescimento de interligações", explica.

Como exemplo, ele cita a instalação recente de uma indústria em Hortolândia. "Como não havia interligação com a rodovia, ela impôs como necessidade básica que a Prefeitura construísse uma ponte. Isso não foi previsto no passado. Se fosse, a ponte já estaria construída. "Questionado sobre o que esperar da evolução do trânsito nas cidades da RPT, Moraes prefere não fazer previsões, mas aconselha. "O planejamento deve atender o imediato, o médio e o longo prazo. Isso é o que se espera de algo tecnicamente perfeito".

Evolução da Frota na RPT

Frota - 2001
Americana: 71.730
Hortolândia: 24.313
Nova Odessa: 15.797
Sumaré: 47.163
Santa Bárbara: 55.667
Total: 214.670

Frota - Jan/2012 (crescimento de %)
Americana: 137.733 (92%)
Hortolândia: 68.779 (182,9%)
Nova Odessa: 31.897 (101,9%)
Sumaré: 116.771 (147,5%)
Santa Bárbara: 111.729 (100,7%)
Total: 466.909 (117,5%)

O Liberal, 26/02/2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alvoroço virtual

Recentemente, o professor Artur Vasconcellos Araújo, da PUC-Campinas, disse-me que as redes sociais se transformaram em ágoras modernas, uma remissão aos espaços de debate da Grécia dos tempos antigos, onde cidadãos se reuniam para conviver e discutir questões sociais coletivas. Ainda segundo o professor, a discussão levada aos meios virtuais de socialização (leiam-se Facebook e Twitter) se trata da acomodação a uma maneira de viver característica dos tempos atuais. A tela do computador, por mais fina que seja, é um escudo que protege o internauta e o incentiva a expressar diretamente aos governos o descontentamento com a falta de vagas em creche, o tamanho do buraco em frente à garagem, o reajustes no salário dos vereadores e outros desalinhos do cotidiano.

Acredito se tratar de uma comparação muito bem feita e de uma inovação fascinante na comunicação. A comodidade e a facilidade propiciada por esses novos meios são fatores marcantes no despertar de tal engajamento. As redes se tornam, a cada dia e com mais peso, canais oficiais de diálogo entre poder público e cidadão.

Entre um clique e outro, então, é extremamente fácil de percebera proliferação de movimentos e manifestações que surgem pelas redes. É mais fácil ainda ver a fraqueza intelectual que lhes acompanham. A democracia da internet permite a todos dizer muito, mas quase sempre, falas vazias.

Uma insurgência eficiente contra o poder público tem de se basear em apontamentos sólidos. Trata-se de organização, liderança e inteligência, algo que não se vê na maioria das manifestações originárias das redes sociais e que acabam se concretizando nas ruas ou palanques políticos. Não basta a criação de um evento, uma descrição miúda sobre o que se trata, acusações e defesas infundadas, carência de argumentação em documentos, abaixo-assinados, petições, a publicação e a confirmação dos “convidados” ao protesto. É uma perda de tempo e um entrave às atividades públicas.

Como exemplo, cito a fracassada tentativa de convencer vereadores a instaurarem uma comissão processante em Sumaré. Tentativa derrubadapor uma fundamentação muito mais sólida (e não verdadeira ou falsa) e preparada, apresentada pelo parlamentar líder da base aliada ao governo. Infelizmente, derrubada, e não pelo partidarismo, mas sim pela análise necessária a uma conduta do prefeitoinvestigada oficialmente.Portanto, se você, leitor, pretende liderar uma mobilização através das redes sociais, faça, mas a faça muito bem, e não como mero alvoroço.

50 anos da Garota

A garota mais famosa da música brasileira comemora cinco décadas. Foi em agosto de 1962 que ela se mostrou ao público, na boate fluminense Au Bon Gourmet.Como conta Ruy Castro, no livro Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova, ninguém por ali, naquela noite de inverno, se dava conta do que viria quando um baiano ao violão começou. “Tom, e se você fizesse agora uma canção, que possa nos dizer, contar o que é o amor?”. E teve como resposta do maestro: “Olha, Joãozinho, eu não saberia sem Vinicius pra fazer a poesia...”. O poeta, então, entrou na conversa e sentenciou: “Para essa canção se realizar, quem dera o João para cantar...”.

Naquele momento, a “santíssima trindade” da música brasileira, composta por João Gilberto, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, entoava as primeiras frases da mais famosa e formosa canção nacional. “Olha, que coisa mais linda, mas cheia de graça...”. Um momento que se repetiu 45 dias na boate (e nunca mais), ao lado do excelente conjunto vocal Os Cariocas e de canções emblemáticas como “Corcovado”, “Samba da minha terra”, “Insensatez”, “Samba de uma nota só” e “Se todos fossem iguais a você”.

“Garota de Ipanema” é cercada de histórias. Há quem diga que nasceu numa mesa de bar, onde Tom e Vinicius bebericavam toda a produção de uísque da Escócia e acompanhavam o balanço das curvas de Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, mais conhecida como Helô Pinheiro, à época com dezenove anos, 1,69m, olhos verdes e cabelos pretos, longos, escorridos. Alguns anos depois, os próprios autores revelaram que Helô era a musa de Ipanema, mas há quem diga que nunca foi do feitio da dupla fazer música em bares.

Ainda assim, misteriosa, nascera diferente, pelas mãos de Vinicius. A “Menina Que Passa” começava da seguinte maneira: “Vinha cansado de tudo/De tantos caminhos/Tão sem poesia/Tão sem passarinhos/Com medo da vida/Com medo de amar/Quando na tarde vazia/Tão linda no espaço/Eu vi a menina/Que vinha num passo/Cheio de balanço/Caminho do mar”.

A caminho do mar, do colégio ou do dentista, “Garota de Ipanema”, foi o início da expansão musical brasileira.Segundo dados oficiais, "Garota rivaliza com "Yesterday", de John Lennon e Paul McCartney, na casa dos 5 milhões de execuções, e "Águas de Março", de Tom e Vinicius, foi apontada como uma das dez canções do século. Além destas, Jobim tem outras cinco ou seis canções com quase 2 milhões de execuções em escala planetária. É inegável o tamanho da repercussão internacional que teve o movimento. Muito disso, graças à menina que passa.

Em Hortolândia, réu do mensalão receberá título

O presidente da Câmara dos Vereadores de Hortolândia, José Nazareno Gomes (PT), é autor do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que concede o título de Cidadão Hortolandense ao deputado federal João Paulo Cunha (PT), um dos réus do caso do mensalão. De acordo com Gomes, o parlamentar tem contribuído para o crescimento da cidade e cita a participação de Cunha nos projetos da instalação da Escola Técnica Federal, da implantação da UPAS (Unidade de Pronto Atendimento de Saúde), da Praça Poderosa, entre outros. O PDL 13/2011 deve ser votado amanhã, na sessão da Câmara Municipal.

Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República, ele teria enviado a esposa Márcia Regina Cunha ao Banco Rural para receber R$ 50 mil do esquema operado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados e, atualmente, comanda a Comissão de Constituição e Justiça, principal comissão temática da Câmara Estadual. Ele nega a existência das denúncias. "Falar que houve mensalão é uma injustiça com o PT e com as pessoas envolvidas", afirmou, em um programa de TV no ano passado.

De acordo com Gomes, muitas verbas repassadas a Hortolândia foram graças ao deputado, que teria um grande vínculo com a cidade. Para o presidente do Legislativo, o fato de Cunha ser um dos réus no STF não influencia na concessão do título. "O João não foi condenado por nada até hoje e nós esperamos que ele seja julgado, inclusive, para provar a inocência dele", afirmou.

Escândalo

Mensalão foi o nome dado ao principal escândalo político que atingiu o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. Consistia num esquema de pagamento de propinas a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo. Na época, o escândalo resultou na queda dos Ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação). Em 2007, o STF recebeu praticamente todas as denúncias oferecidas pela Procuradoria. Está previsto para maio o início do julgamento dos 40 réus, que deve durar de três a quatro semanas.

Prefeitura de Sumaré é condenada por má-fé

A Prefeitura de Sumaré foi condenada por litigância de má-fé ao oferecer embargos de declaração improcedentes questionando a sentença que condenou o prefeito José Antonio Bacchim (PT) à perda do mandato, no início de janeiro. Segundo o juiz Gilberto Vasconcelos Pereira Neto, os embargos foram uma tentativa de atrasar o andamento do processo. O recurso do município continha alegações de que houve omissão e contradição na sentença proferida pelo magistrado contra Bacchim. De acordo com o despacho, a rejeição se deu porque, no entender do juiz, a decisão é perfeitamente clara e analisou todos os pontos suscitados. A Administração foi condenada a pagar 1% do valor dado à causa, mais 20% a título de indenização com a improcedência dos embargos.

Em janeiro deste ano, a Justiça de Sumaré condenou o prefeito à perda do cargo público após julgar procedente uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público. De acordo com o órgão, houve a contratação de servidores em cargos comissionados com desvio de finalidade. Além disso, o petista teve os direitos políticos suspensos pelo prazo de quatro anos e terá de pagar uma multa de R$ 560 mil, equivalente a 50 vezes o valor de sua remuneração atual. Pelo fato de caber recurso, Bacchim continua no cargo.

Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão judicial é omissa, contraditória ou obscura. No entanto, segundo o juiz, não há omissão, contradição e obscuridade que ampare a pretensão da Administração. O magistrado afirmou também que não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, tampouco a rebater, um a um, todos os argumentos por elas apresentados, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundamentar sua decisão. Sendo assim, os embargos foram considerados protelatórios e de má-fé, ou seja, o recurso teria sido utilizado com o objetivo de atrasar a solução do processo.

A Procuradoria Jurídica de Sumaré informou que ainda não foi notificada oficialmente, mas adiantou que vai entrar com recurso no TJ (Tribunal de Justiça do Estado), dentro dos prazos legais. A decisão ressalta, porém, que a Administração terá de efetuar o pagamento de 1% do valor dado à causa (atualmente, R$ 1000, segundo o site do TJ) mais 20% a título de indenização antes de tentar qualquer recurso.

Segundo a advogada de Bacchim, Priscila Chebel, a condenação contra o município pode ser revertida. Ela acredita que o embargo oferecido pelo prefeito, uma das partes do processo, também será rejeitado.

O Liberal, 14/02/2012

Vensel defende Bacchim e vereadores rejeitam CP

Em sessão tumultuada e de plenário cheio, a Câmara dos Vereadores de Sumaré rejeitou os três requerimentos que pediam a abertura de uma CP (Comissão Processante) que investigaria atos de improbidade administrativa do prefeito José Antonio Bacchim (PT). Dos 12 vereadores que poderiam votar, somente Décio Marmirolli (PSDB) e Antônio dos Reis Zamarchi, o Toninho Mineiro, (PMDB) foram favoráveis. Com isso, o pedido de afastamento de Bacchim não foi levado a votação. A sessão foi marcada por um discurso de 30 minutos do vereador Roberto Vensel (PT) argumentando contra as justificativas dos documentos protocolados. Do lado de fora da Câmara, cerca de 80 pessoas protestaram a favor da abertura.

Vensel taxou de "factoide político" o pedido de criação da CP e listou 11 processos que os organizadores do movimento estariam enfrentando na Justiça. "As pessoas que fizeram o uso da tribuna não têm a mesma conduta moral do prefeito Bacchim", criticou. Antes do parlamentar, um dos líderes do movimento que pede a saída do prefeito, Osmar dos Santos Nunes, e o integrante do PPS, Rogério Pedroni, autor de um dos requerimentos, discursaram na Tribuna Livre. Eles citaram os processos enfrentados por Bacchim e reiteraram o pedido de afastamento do prefeito. Assim como Vensel, os vereadores Geraldo Medeiros e Eva de Oliveira também discursaram em favor do prefeito e da rejeição aos pedidos.

Entre a última sexta-feira e a tarde de segunda-feira, foram protocolados três requerimentos para a instauração da CP, todos eles vinculados a partidos de oposição no município, PPS e PSOL. A iniciativa que levou o pedido à Câmara foi fomentada nas redes sociais e surgiu após a decisão da Justiça de Sumaré em condenar o prefeito Bacchim à perda do mandato e dos direitos políticos, no início de janeiro. Ainda em janeiro, o MP ingressou com uma nova ação civil pública pedindo que Bacchim deixasse o cargo devido a irregularidades na contratação da Estre Empresa de Saneamento e Tratamento de Resíduos.

Após a derrota na Câmara, um dos autores do pedido de criação da CP, Valdir Lourenço de Souza, coordenador do PSOL, afirmou que os vereadores votaram sem conhecimento. "São 11 vereadores na base do prefeito. Mas somos um movimento sério e hoje alcançamos um bom volume aqui na Câmara".

Parlamentares discutiram com opositores

Durante a sessão, os vereadores Geraldo Medeiros (PT) e Eva de Oliveira (PT) se exaltaram e chegaram a discutir com os poucos opositores que conseguiram entrar no plenário. Medeiros também taxou de "factoide" as denúncias e disparou contra os líderes do movimento: "É bandido", bradou, durante o discurso na tribuna livre. Foi aplaudido pelo secretário de Segurança, Mauro Jorge Cegantin.

O acesso à Câmara dos Vereadores foi controlada na sessão de ontem e contou com a presença de seguranças e da Guarda Civil Municipal. Durante a tarde, 100 senhas foram distribuídas para que o plenário não ultrapassasse a lotação. A maioria dos presentes na sessão se mostrou contrária ao pedido de abertura da CP. Entre eles, estavam o secretário de Educação, João José Haddad Júnior, o secretário de Habitação, Jesuel Pereira, além de Cegantin e do presidente do PT, Jairo Colossal.

Na terça-feira, Bacchim criticou o requerimento. "Estamos em ano eleitoral e o autor do pedido é filiado ao PSOL, o que demonstra oportunismo e tentativa de desgaste da imagem da Administração que está resolvendo problemas históricos da cidade", afirmou em nota.

O Liberal, 08/02/2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Da Estônia para Americana, por um cavalo

Babá de cavalo. É o que melhor definiria o trabalho de Paul Turu, o estoniano de 28 anos que num final de tarde deste mês escovava com esmero os pelos castanhos de Peintre Celebre, o famoso garanhão europeu, campeão das pistas do turfe francês, que, aos 18 anos de idade, veio a Americana para prestar “serviços de reprodução” às éguas de um empresário dos ramos têxtil e siderúrgico. Dentro do estábulo, o cavalo parecia à vontade, ainda que os trovões que soavam do lado de fora o deixavam curioso. De onde Peintre Celebre veio, a Irlanda, sons do tipo são raros. “Fico imaginando o que ele deve estar pensando com todo esse barulho lá fora”, questiona-se Paul, num inglês carregado por um sotaque próximo ao alemão.

Desde os 20 anos, quando saiu da Estônia, Paul tem a missão de acompanhar cavalos que são conhecidos pela qualidade reprodutora. Ele já passou por Inglaterra, Irlanda, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e França, sempre seguindo os animais. Os países para onde viajam, porém, não são escolhidos aleatoriamente. Além da necessidade de quem contrata os “serviços” dos garanhões, a chegada a um novo local depende também da estação do ano. A temporada de reprodução no Brasil, por exemplo, vai de agosto a janeiro, quando as temperaturas marcam índices amenos.

Paul e Peintre Celebre desembarcaram em Americana em agosto do ano passado. A rotina da dupla começa bem cedo. Por volta das 6h30, ele leva o garanhão para uma caminhada, o que chama de “aquecimento”, e aproveita para deixá-lo se alimentar do pasto da fazenda. Pela tarde, o cavalo passa por uma higienização, faz as necessidades fisiológicas e se prepara para a reprodução com as éguas da fazenda. Apesar de não revelar cifras nem resultados, considerados confidenciais, Paul garante que Peintre Celebre tem feito um bom serviço e elogia o animal. “É um cavalo fácil de lidar e muito bem comportado”. Talvez por isso seja um dos garanhões mais viajados do mundo. “Ele já esteve em mais países do que eu, como no Japão”, conta.

O objetivo de estar ao lado do garanhão, explica Paul, é tentar manter a rotina e o ambiente do animal em qualquer lugar do planeta. Mas este acompanhamento pessoal dos cavalos não é comum. Geralmente, os próprios funcionários das fazendas que recebem os animais acabam prestando os cuidados necessários. O estoniano revela, porém, que se trata de uma opção da Coolmore Stud, a empresa irlandesa que ele representa. “É diferente quando você tem que cuidar de vinte cavalos e de um. Acreditamos que seja melhor desta maneira”.

A Coolmore é uma das maiores empresas do mundo que lidam com o chamado horse breeding, a reprodução de cavalos dirigida e seletiva. A intenção de quem procura pelos garanhões de empresas como ela é a tentativa de, com o acasalamento planejado, conseguir filhotes com características específicas. Além disso, este tipo de reprodução conta muitas vezes com tecnologias para aumentar a taxa de concepção e proporcionar uma gravidez saudável e um parto bem sucedido aos animais.

Segundo dados da CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária, o setor de criação de cavalos de raça e atividades relacionadas movimentam R$ 7,5 bilhões anualmente no país. No entanto, investir em garanhões ainda é privilégio de poucos endinheirados. O custo mensal de um cavalo de raça, o que inclui cuidados básicos, hospedagem e treinamento, é estimado entre R$ 1500 e R$ 2000.

A esta hora, Paul já deve estar de volta à Estônia. Quando conversou com a reportagem do LIBERAL, o estoniano, apaixonado pelos cavalos, já estava prestes para partir, já que a temporada no país chegava ao fim para Peintre Celebre. Ainda que timidamente, aproveitou para agradecer a hospitalidade brasileira. “Gostaria de agradecer a todos que me receberam, como o dono da fazenda, os veterinários e todo o pessoal que conheci. Foi uma ótima experiência”.

Número de estonianos no Brasil é baixo

No Brasil, a presença de estonianos é baixa. Segundo o cônsul geral honorário em São Paulo, Jüri Saukas (se pronuncia Iuri), as ondas de imigração ocorreram em duas épocas. Durante as décadas de 20 e 30, grupos de agricultores vieram ao país para aproveitar as terras ofertadas pelo governo brasileiro. Com a Europa devastada no período pós-guerra, no final da década de 40, outra leva de imigrantes desembarcou no Brasil.

Saukas estima vagamente que o número de estonianos vivendo em terras brasileiras nos dias atuais varie entre 5 e 10 mil e eles se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro. O dado, segundo ele, também deve incluir descendentes. “Dos que vieram há décadas, muitos foram embora para países como Estados Unidos e Canadá, por serem nações semelhantes à Estônia, principalmente, no clima”. O baixo número de imigrantes e descendentes contribui, por exemplo, para que o país seja pouco conhecido entre os brasileiros.

Localizada no norte da Europa e banhada pelo Mar Báltico, a Estônia se declarou independente da Rússia em 1918. De 1940 a 1991, existiu sob a foice e o martelo da extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Hoje, novamente livre, é uma das poucas nações da União Europeia que se gabam por não protagonizar as manchetes da crise financeira internacional, com crescimento da economia variando entre 4% e 5% ao ano. Metade da população é composta por russos, ucranianos e outras nacionalidades do leste europeu. No total, 1,3 milhão de pessoas vive num território do tamanho do estado do Espírito Santo, formado por 1500 ilhas, mil lagos e sete mil rios e riachos.

Menos trinta
No dia em que Paul conversou com a reportagem do LIBERAL, a temperatura da RPT (Região do Polo Têxtil) oscilava entre os 28 e 30°C. A sensação era bem diferente de Tallinn, capital da Estônia e cidade natal de Paul, onde o site do The Weather Channel, o “canal do tempo”, especialista em informações meteorológicas do mundo inteiro, previa termômetros marcando -2°C, sensação de -8°C e neve fraca. “Americana é uma cidade parecida com Tallinn, mas o clima aqui é bem mais agradável”, brinca o estoniano.

Entre as histórias sobre o dia a dia gélido do norte da Europa, Paul conta que as escolas e outros serviços municipais chegam a paralisar as atividades caso o frio chegue a -30°C, o que, segundo ele, ocorre uma ou duas vezes por ano. “É muito frio mesmo, mas as pessoas que nascem por lá acabam se acostumando”, diz. Tão extremo quanto os graus negativos, as horas de sol no país também são curiosas. Durante o inverno, a claridade do dia dura, em média, apenas seis horas. Em meses como dezembro e janeiro, no auge das baixas temperaturas, é comum o sol despontar às 10h e se por às 16h, por exemplo. Já no período de verão, ocorre o inverso. Entre às 4h e as 22h quase não se faz necessário acender as lâmpadas da cidade.

“Os estonianos são um povo organizado”, diz cônsul

Nos meses que conviveu com Paul, a universitária Natália Marin, 21, uma das moradoras da fazenda percebeu, entre muitas peculiaridades, a atenção especial que Paul dá aos números e aos dados. “Era comum, quando falávamos de qualquer assunto, ele pedir para quantificarmos. ‘Mas qual a porcentagem de brasileiros que vão às faculdades? Qual a população da cidade vizinha? Quantos anos dura o colegial de vocês? ’”, exemplifica.

A atração às estatísticas pode ser confirmada no site da capital estoniana, Tallinn. Lá, um cidadão atento consegue descobrir que em 2010 houve cinco assassinatos, 308 roubos, 185 acidentes de trabalho sérios, 19 acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados na cidade e diversas estatísticas pontuais reunidas em mais de 100 páginas. Os números fazem parte do Statistical Yearbook of Tallinn 2011, o anuário estatístico da cidade. O cônsul geral honorário, Jüri Saukas, explica: “Certa vez me disseram na Estônia o seguinte: ‘A gente aqui fazia as idiotices soviéticas com precisão germânica. É assim que funciona. Os estonianos são um povo extremamente organizado”.

O Liberal, 29/01/2012

MP pede que Bacchim perca o cargo

O Ministério Público Estadual pediu à Justiça de Sumaré que o prefeito José Antonio Bacchim (PT) perca o cargo no Executivo e tenha os direitos políticos suspensos de oito a dez anos devido a irregularidades na contratação da Estre Empresa de Saneamento e Tratamento de Resíduos. A requisição foi feita na ação civil pública que denuncia atos de improbidade administrativa cometidos por Bacchim, informação publicada na quinta-feira, com exclusividade, pelo LIBERAL. O promotor de Justiça Fabio Vasconcellos Fortes, autor da ação, pede também que o prefeito faça o ressarcimento integral do dano e a devolução de todos os valores recebidos pela empresa por parte da Prefeitura de Sumaré, além de pagamento de multa de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial obtido pela Estre com o contrato.

O MP se baseou em exames do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), que julgou irregulares o contrato assinado em 2006, a licitação e os termos de aditamento. O valor do contrato assinado com a Estre foi de R$ 2,1 milhões. De acordo com a ação, houve direcionamento do certame à empresa e não houve pesquisa de preços com outras. O TCE apontou que exigências no edital restringiram a competitividade de outras empresas no processo licitatório. A Administração confirmou que ainda mantém contrato com a Estre.

O caso põe Bacchim em mais uma polêmica no mandato, que encerra neste ano. Após o recesso do Poder Judiciário, no início do mês, a Justiça de Sumaré condenou Bacchim à perda do cargo após julgar procedente uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público. De acordo com o órgão, houve a contratação de servidores em cargos comissionados com desvio de finalidade. O juiz Gilberto Vasconcelos Pereira Neto determinou também a suspensão dos direitos políticos pelo prazo de quatro anos e o pagamento de multa equivalente a 50 vezes o valor de sua remuneração atual, o que equivaleria a R$ 560 mil. Como a decisão foi julgada em primeira instância, Bacchim e a advogada que o representa, Priscila Chebel, afirmaram que vão recorrer da decisão.

Em 2010, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) cassou o mandato do prefeito de Sumaré. A alegação era de que Bacchim teria contratado um advogado sem licitação em 2008. De acordo com o MP, os administradores praticaram atos de improbidade administrativa, desobediência à Constituição e dano ao erário público, já que não havia necessidade de contratação de um serviço diferenciado dentro da prefeitura. O processo ainda corre no TJ.

O Liberal, 28/01/2012

MP entra com ação de improbidade contra Bacchim

O Ministério Público ingressou com nova ação civil pública contra o prefeito de Sumaré, José Antonio Bacchim (PT), acusando o chefe do Poder Executivo de cometer atos de improbidade administrativa devido a supostas ilegalidades na contratação da Estre Empresa de Saneamento e Tratamento de Resíduos, responsável pela execução de serviços especializados de destinação final de resíduos sólidos domiciliares e similares. O MP se baseou em exames do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), que julgou irregular o contrato assinado em 2006, a licitação e os termos de aditamento. O valor do contrato assinado com a Estre foi de R$ 2,1 milhões. No início do mês, outra ação, também de improbidade, levou a Justiça a cassar o mandato do prefeito, que permanece no cargo até que todos os recursos possíveis sejam julgados.

De acordo com a ação, o TCE manifestou-se no ano passado pela irregularidade da licitação e da contratação dela decorrente levando em conta que as justificativas apresentadas pela Prefeitura não esclareceram as questões elencadas pela fiscalização do Tribunal em relação à ausência da pesquisa de preços praticados no mercado. Além desta alegação, o órgão apontou também que exigências no edital restringiram a competitividade de outras empresas no processo licitatório.

Segundo o processo, houve a escolha do fornecedor que culminou na assinatura de um contrato administrativo que feriu os princípios da finalidade e da igualdade, suficiente para a caracterização dos atos de improbidade administrativa. O MP afirma que a Estre foi quem mais se beneficiou com os atos ilegais praticados pela Prefeitura, inclusive auxiliando na elaboração do edital.

Procurada na tarde de ontem, a Prefeitura de Sumaré informou que ainda não foi notificada e que só se manifestará após ser comunicada oficialmente. Após a notificação, o prefeito e a empresa terão até 15 dias para se manifestar sobre o caso. A Estre foi procurada ontem por telefone e e-mail, mas não houve retorno. A Administração confirmou que ainda mantém contrato com a empresa.

CASSAÇÃO
Há duas semanas, a Justiça de Sumaré condenou Bacchim à perda do cargo público após julgar procedente outra ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público. De acordo com o MP, houve a contratação de servidores em cargos comissionados com desvio de finalidade. Além disso, o petista teve os direitos políticos suspensos pelo prazo de quatro anos e terá de pagar uma multa de R$ 560 mil, equivalente a 50 vezes o valor de sua remuneração atual. A decisão atingiu também Dalben (PPS), que comandou a Prefeitura entre os anos de 1997 e 2004. Pelo fato de caber recurso, Bacchim continua no cargo.

O Liberal, 26/01/2012

Advogados vão pedir esclarecimentos a juiz

Os advogados do ex-prefeito de Sumaré, Antonio Dirceu Dalben (PPS), e do atual, José Antonio Bacchim (PT), vão pedir que o juiz Gilberto Vasconcelos Pereira Neto esclareça pontos “obscuros” da sentença que condenou os dois políticos à perda de direitos e de mandato por irregularidade na contratação de funcionários comissionados na prefeitura. O embargo de declaração será feito entre cinco e dez dias pela defesa dos prefeitos e não tem a intenção de reverter a decisão da Justiça de Sumaré. Ontem, a condenação foi disponibilizada no Diário Oficial do Estado.

A advogada de Bacchim, Priscila Chebel, afirmou que falta clareza em alguns pontos da sentença. Na semana passada, ela alegou falta de provas na ação judicial em relação à afirmação de que parte do salário de servidores comissionados era direcionada a partidos políticos. “Por ser um processo muito extenso, alguns pontos ficam para trás. Na hora da decisão, não são apreciadas algumas coisas que para nós é importante que se tenha um posicionamento”, explicou. Priscila ressaltou, porém, que o embargo não vai afetar a decisão do magistrado. “A intenção não é alterar a sentença. Vamos apresentar os embargos, o juiz vai apreciá-lo e decidirá se presta os esclarecimentos ou não. Posteriormente faremos recurso ao Tribunal de Justiça (TJ)”.

A defesa do ex-prefeito Dalben, feita pelo advogado Marcelo Pelegrini Barbosa, informou que seguirá o mesmo caminho e vai protocolar o embargo no prazo de dez dias. Barbosa acredita que o embargo será negado, mas afirma que deverá se utilizar de todos os recursos cabíveis. A apelação ao Tribunal de Justiça só poderá ser feita 15 dias após o julgamento do embargo.

Caso
Na semana passada, a Justiça de Sumaré condenou o prefeito José Antônio Bacchim (PT) à perda do cargo público após julgar procedente uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público. De acordo com o órgão, houve a contratação de servidores em cargos comissionados com desvio de finalidade. Além disso, o petista teve os direitos políticos suspensos pelo prazo de quatro anos e terá de pagar uma multa de R$ 560 mil, equivalente a 50 vezes o valor de sua remuneração atual. A decisão atingiu também Dalben (PPS), que comandou a Prefeitura entre os anos de 1997 e 2004. Pelo fato de caber recurso, Bacchim continua no cargo.

O petista se defendeu relatando os ajustes feitos durante os dois mandatos na estrutura administrativa e no quadro de funcionários da Prefeitura. Ele ressaltou que houve uma diminuição drástica no número de comissionados e, por isso, teria ficado surpreso com a condenação.

O Liberal, 18/01/2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Executivo não encontrou resistência

Câmaras de Sumaré e Hortolândia aprovaram 85% e 93%, respectivamente, do total de proposituras

Os projetos de lei elaborados pelo Poder Executivo quase não encontraram resistência para serem aprovados na Câmara dos Vereadores de Hortolândia e Sumaré em 2011. O Legislativo hortolandense é o que mais aprovou. De um total de 111 proposituras apresentadas, 104 receberam o crivo favorável dos parlamentares, o que corresponde a 93%. Em Sumaré, o índice é alguns pontos percentuais menor. No ano passado, 93 projetos, de 109, foram aprovados, o que corresponde a 85% do total.

Os dados fazem parte do balanço divulgado pelas Câmaras na semana passada. Em Sumaré, ao longo de 2011, foram apresentados, nas 42 sessões ordinárias e duas extraordinárias, 213 projetos de lei, sendo 104 pelo Poder Legislativo e 109 pelo Poder Executivo. Desse total, 157 foram aprovados e sancionados, tornando-se lei.

Em Hortolândia, foram apresentadas 4.081 proposituras. Deste total, os vereadores apresentaram 71 projetos de lei, 1.178 requerimentos, 2.640 indicações, 171 moções, 11 projetos de Decreto Legislativo e uma Proposta de Emenda a Lei Orgânica. Um dos destaques foi a aprovação do Código de Obras da cidade, que vai regulamenta as construções e reformas no município, além das nomenclaturas de ruas e avenidas, numeração de prédios, emplacamento de ruas, entre outros pontos. Até então, as regras levavam em conta a lei nº 2469/92, da Prefeitura de Sumaré, cidade a qual Hortolândia era vinculada até 1991. "Fizemos um bom trabalho em 2011, e a Câmara e os vereadores estão empenhados em melhorar ainda mais a cidade em 2012, com mais trabalhos nas ruas. Tenho certeza que vamos nos superar em 2012", comentou o presidente da Câmara, José Nazareno Gomes (PT).

O vereador Lenivaldo Pauliuki (PSDB) foi quem apresentou o maior número de requerimentos ao longo do ano passado. Já George Burlandy (PR) foi o "campeão" em relação à apresentação de projetos de lei. Por fim, Renata Belufe (PT) apresentou o maior número de indicações, tornando-se assim, os mais atuantes no Legislativo em 2011.

Sessões
As sessões da Câmara, tanto em Sumaré, como em Hortolândia, voltam a ser realizadas na primeira semana de fevereiro. Em Sumaré, o horário permanece às 19h, todas as terças. Já em Hortolândia, houve mudança. As sessões, que antes começavam a partir às 19h30, agora terão início às 14h30, também às terças.

O Liberal, 19/01/2012

O amor não se afoga

Karla Martins dos Santos, 37 anos, é viúva do mecânico Nelson Marinho Filho, de 40 anos. Na semana que o avião da Air France, voo 447, que levava seu marido para Paris caiu no mar, ela descobriu que estava grávida. Um ano depois, seu filho Caio Maximus, de 4 meses não tem o nome do pai no documento pois Nelson ainda é considerado desaparecido. A casa que Nelson construía no terreno dos pais, na zona oeste do Rio de Janeiro, ficou inacabada. (Notícia publicada no O Estado de S. Paulo, dia 30 de maio)

Um gato pulou o muro e passou correndo por entre as pernas de Karla. Sem se assustar, ela encarava, paralisada, a casa que, junto do marido, havia começado a construir. As madeiras que ajudariam a sustentar a construção da laje estavam todas empilhadas num canto do terreno. Era pra ser um sobrado, mas sequer a parte de baixo estava acabada. Além do gato, um velho cão esquálido passeava com a língua de fora, procurando por qualquer coisa que o alimentasse. Caminhava com certa melancolia, a qual Karla se identificou imediatamente. A tristeza rondava por ali.

Escolheram a zona oeste do Rio de Janeiro para realizarem o sonho de um novo lar que abrigasse os filhos que pretendiam ter. O fato de ser um sobrado foi fruto de uma boa argumentação do marido, Nelson. Karla queria mesmo uma casa que lhe poupasse o sobe e desce de escadas. Sonhava com uma sala espaçosa e uma varanda onde pudesse receber as amigas dela e os amigos dele nos animados churrascos que não tinham dia ou hora para acontecer. A casa seria grande, do tamanho das condições que tinham para bancá-la. Não podia se dizer que ganhavam mal, pois o dinheiro do trabalho, principalmente de Nelson, mecânico em uma plataforma de petróleo, ajudava a manter a construção e todos os sábados, quando o marido estava no continente, saíam para jantar num restaurante em Ipanema, próximo à avenida Vieira Souto.

Karla não saía da casa da mãe há meses, mas naquele dia, resolvera conhecer o novo shopping da cidade. Precisava comprar um presente para o irmão e queria se distrair. Porém, ao passar num cruzamento, tomou a direção contrária que a levaria para casa e rumou até a construção. Quando desceu do carro, seus olhos marejaram e só não desabou em lágrimas porque um homem a interrompera, de súbito, perguntando se gostaria de comprar panos de prato.

Deu alguns passos para o lado, olhou para a rua deserta e resolveu entrar. Imaginou como seria a vida por ali. Nelson era alegre e bem disposto em qualquer situação. Karla o imaginava bancando o mestre-cuca na cozinha espaçosa e, por vezes, sonhava que assistiria à centena de filmes que compravam só por acharem a capa interessante. Construiriam uma sala só para abrigá-los, com uma grande TV e um belo sofá-cama, que coubesse o casal e as crianças. Mas o gato voltara à cena, miando baixinho, o suficiente para Karla despertar. Percebeu que o sonho continuaria sendo sonho. Nelson se fora. É considerado desaparecido pelo fato de que o voo que o levaria a Paris ter caído no mar, num acidente que toda a imprensa acompanhou e que ainda é envolto de mistérios.

Quando entrou no carro, não conseguiu dar a partida. Chorava como uma criança. Ainda pensa no marido todos os dias, principalmente quando observa o filho, de apenas um mês, dormir no berço que Nelson se apaixonara na véspera de sua ida à França, quando passeavam pelas lojas do centro da cidade. O marido sequer sabia que Karla estava grávida, pois foi na mesma semana do acidente que ela descobriu. De dez em dez dias, Karla contava os minutos para buscar Nelson, que retornava do trabalho na plataforma e desembarcava no porto carioca. Ela sempre vai amá-lo, mesmo sabendo que nunca mais o verá voltar do mar.

Adendo ao Samba da Benção

"Quem dera Vinicius e a poesia
estarem tão vivos hoje em dia,
eu juro, eu faria uma canção.
E se Antônio fizesse-me o favor
de cantar-me um pouquinho sobre o amor
era certa a presença de João."

SBO, 1º de abril de 2011

72 rotações

Vinil e câmera das antigas formam geração de jovens analógicos

(http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/897873-vinil-e-camera-das-antigas-formam-geracao-de-jovens-analogicos.shtml) - Notícia publicada no site da Folha de S. Paulo em 04/04/2011

Querido vovô, depois de algum tempo amaldiçoando meus pais por terem se mudado para esta cidade cinzenta e amontoada que é São Paulo, vejo que as coisas não estão tão ruins assim. Hoje, fui àquela velha sebo que me indicou no aniversário de mamãe. Pra falar a verdade, o lugar é um pouco pior do que o senhor havia me contado. As ruas por lá são bem desertas e, vez por outra, é possível observar tipos estranhíssimos caminhando com caneta, bloco de anotação e óculos Wayfarer pendurados no canto da boca. Serão eles promessas literárias? Alguns até fumam incessantemente. Não importa.

Conversando com o senhorzinho que administra o local, percebi que as doações e vendas para a sebo estão decadentes. Durante o nosso papo, ele passou o tempo todo repetindo que as pessoas não têm mais preocupação com os objetos culturais. Livros, discos, CDs, revistas, são todos jogados no lixo ao invés de serem trocados por algo útil nas lojas como a dele. Não concordei nem discordei, mas disse que se dependesse de mim, ele teria uma pequena ajuda para manter o acervo. Semana passada, estive fuçando no escritório de papai e me esbarrei com uma coleção de livros infantis da década de 70. Que coisa! Hoje em dia, eles seriam bobíssimos para as crianças que nem vão a cursos de informática e já nascem com um exímio manejo de mouses, teclados, softwares e internet. Estou pensando em levar os livrinhos nesta semana.

Depois de ouvir os lamentos do senhorzinho, consegui encontrar uma edição especial de músicas do Vinicius, que traz quatro LPs e um livreto sobre canções. A capa é belíssima. Um retrato de Vinicius com o olhar perdido. O preço foi salgado, 70 reais, o que pôs fim ao dinheiro que havia ganhado no meu aniversário. Claro que meus livros da faculdade também contribuíram para essa pequena crise financeira. Papai tem me ajudado muito, mas as finanças também não andam bem lá na empresa.

Bom. É isso. Espero que as coisas estejam tranqüilas aí no interior. Os Correios já entregaram as fotos da reflex? As minhas ficaram lindas. Efeitos incríveis nas tiradas com a Lomo. Agradeça à vovó mais uma vez pela câmera. Foi um dos melhores presentes que ganhei em toda a minha existência de quase 19 anos.

Esperamos vocês aqui pro aniversário da Clarinha. A menina quase derrubou a reflex esses dias, mas estou feliz por ter pego-a de surpresa ouvindo o disco do Menescal. Agora ela passa o dia inteiro cantarolando “o barquinho vai, a tardinha cai...”. O senhor não pode perder isso! É lindo.

Um beijo de sua neta preferida.
Beijos à vovó também.
Marina.