Maior parte das intervenções no trânsito da região resume-se a pinturas de solo e mudança de direção de ruas
São 18h30 de uma quarta-feira pré-Carnaval na Avenida de Cillo, em Americana, e dezenas de carros se amontoam pelas faixas da via.Num intervalo de aproximadamente um minuto, o trânsito esboça um fluxo lento, que faz com que os motoristas cheguem até a segunda marcha, percorram alguns metros e, então, voltem a por o pé no freio. Nessa hora, não é difícil imaginar o que se passa na cabeça dos condutores, muitos deles, estafados pela rotina de trabalho. "Desse jeito eu não chego nunca. Devia ter vindo por outro caminho", praguejam a si mesmos. Enquanto os problemas de trânsito se tornam características das cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), não há qualquer iniciativa concreta e animadora por parte das Administrações de que a situação vá ser resolvida, ou amenizada. Olhando pelo retrovisor, a tendência é ver a fila aumentar.
"Parece São Paulo" é uma frase que já deve ter sido dita há alguns anos no trânsito dos municípios da região. A diferença, no entanto, é que na Capital há um plano. Preocupado com a crescente frota de veículos ao longo dos anos e a consequente demora em percorrer trechos relativamente curtos, o consórcio intermunicipal que engloba sete cidades da região de São Paulo decidiu contratar um Plano de Mobilidade Regional. Além de procurar minimizar o caos no trânsito, a medida cumpre a lei sancionada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff, que define que todo município com mais de 20 mil habitantes tenha um plano de mobilidade.
Gestão participativa
Por aqui, segundo informações passadas pelas secretarias municipais (com exceção de Sumaré, que não respondeu à reportagem), as ações são pontuais e em curto prazo, levando em conta, inclusive, a participação e opinião dos usuários, como em Americana e Hortolândia. De acordo com o secretário de Transporte e Sistema Viário (Setransv) de Americana, Jesuel de Freitas, a Administração tem adotado o sistema de gestão participativa. Os problemas são debatidos com a comunidade e os projetos são apresentados antes das alterações.
Em Hortolândia, a população colaborou na elaboração de um plano viário municipal. "O plano norteia as ações para melhorar o sistema de trânsito e transporte da cidade. A Administração encaminhará o projeto para apreciação da Câmara de Vereadores com o objetivo de transformá-lo em lei", informou o secretário de Planejamento Urbano, Ronaldo Alves dos Reis. Para melhorar o sistema viário da cidade, a Prefeitura de Hortolândia ressalta que realiza o prolongamento e abertura de novas vias. Um dos pontos que mais sofrem com o problema, a Avenida da Emancipação, principal via de acesso à cidade pela Rodovia SP-101, começou a ser duplicada na virada do ano. O deslocamento no município também é prejudicado pelo fato de ser cortado pelo Ribeirão Jacuba. Com isso, a presença das pontes para fazer a ligação entre os bairros deve aumentar. Está em licitação a construção de mais cinco, além da milionária Ponte Estaiada.
Situação remediada
Na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, a situação do trânsito é remediada com a manutenção da malha viária, implantação e informatização do sistema de estacionamento rotativo da área central, blitz educativa, campanhas de conscientização, entre outras ações. Da mesma forma, Nova Odessa investe em redutores de velocidade, semáforos e fiscalização, com o objetivo, principalmente, de evitar acidentes. O Setor de Trânsito do município faz levantamento dos locais que ocorrem os maiores números de acidentes de trânsito e, nestes locais são colocadas em prática medidas que para reduzir estes números. As medidas incluem desde a colocação de um redutor de velocidade a uma mudança na mão de direção de trânsito.
Questionadas, nenhuma das secretarias citou estudos, participações em comissões sobre o assunto ou elaborações de planos em longo prazo. A reportagem também tentou obter a previsão dos valores investidos nos trabalhos relacionados ao trânsito nas cidades. Hortolândia respondeu R$ 5 milhões. Nova Odessa afirmou que necessitaria fazer um levantamento mais aprofundado para chegar ao valor real do orçamento do ano. Sumaré, Santa Bárbara e Americana não responderam.
Frota cresceu 117,5% em dez anos em média na região
A cidade com maior crescimento foi Hortolândia, saltando de 24.313 para 68.779 automóveis, ou seja, 183%
Entre as justificativas aos problemas do tráfego nas cidades, as secretarias responsáveis citaram o crescimento constante da frota de veículos. De acordo com estatísticas do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), num período de 10 anos, o número de automóveis mais do que dobrou nos cinco municípios da RPT (Região do Polo Têxtil). Em 2001, o Departamento contabilizou 214.670 automóveis. Em janeiro deste ano, o número chegou a 466.909, um crescimento de 117,5%.
A cidade com maior crescimento foi Hortolândia. De 24.313, passou para 68.779 automóveis, um aumento de 183%. O secretário de Planejamento Urbano, Ronaldo Alves dos Reis, justifica. "Hortolândia apresenta um alto crescimento da frota por causa do desenvolvimento econômico da cidade". A Rua Luiz Camilo de Camargo, cercada de comércios na região central, é um retrato do avanço econômico, aliado ao fluxo intenso de veículos. No entanto, para o secretário, os problemas no tráfego se dão pelo fato de as ruas e avenidas da cidade serem curtas e estreitas, sem conexão direta das vias entre os bairros.
A Sesetran (Secretaria de Segurança e Trânsito e Defesa Civil), de Santa Bárbara, admite que a cidade não está preparada para o crescimento da frota. "Como a maior parte dos municípios brasileiros, Santa Bárbara também não foi planejada levando em consideração o crescimento da frota de veículos", informou a pasta. Na cidade, o número de veículos dobrou nos últimos dez anos.
Americana, que teve um crescimento de 92% na frota, alega que a dificuldade em amenizar os problemas do trânsito está ligada à fragmentação e descontinuidade do desenho viário do município, atribuída a barreiras físicas como rios e rodovias que cortam a cidade. "A pequena extensão territorial traz dificuldade de planejamento e equacionamento entre o volume de veículos e os espaços disponíveis à mobilidade", afirmou o secretário Jesuel de Freitas.
Especialista sugere prioridade para o transporte coletivo
Planejamento deve atender o imediato, o médio e o longo prazo para conseguir bons resultados
Para o especialista em gestão de trânsito, professor Sylvio Moraes, o planejamento do trânsito nas cidades da região devem atender a requisitos mínimos. Um deles é dar prioridade ao transporte coletivo e, inclusive, estimular meios alternativos de locomoção, como o uso de bicicletas, algo quase nulo na região.
Outro requisito apontado por Moraes é estabelecer a demanda futura das cidades pensando no crescimento econômico iminente. "A região é potencialmente industrial, o que inclui obrigatoriamente a previsão das interligações com as rodovias. A malha rodoviária na região é grande. Estes acessos devem ser muito bem planejados, pensando no futuro. A tendência é o crescimento da frota. Isto implica o crescimento de interligações", explica.
Como exemplo, ele cita a instalação recente de uma indústria em Hortolândia. "Como não havia interligação com a rodovia, ela impôs como necessidade básica que a Prefeitura construísse uma ponte. Isso não foi previsto no passado. Se fosse, a ponte já estaria construída. "Questionado sobre o que esperar da evolução do trânsito nas cidades da RPT, Moraes prefere não fazer previsões, mas aconselha. "O planejamento deve atender o imediato, o médio e o longo prazo. Isso é o que se espera de algo tecnicamente perfeito".
Evolução da Frota na RPT
Frota - 2001
Americana: 71.730
Hortolândia: 24.313
Nova Odessa: 15.797
Sumaré: 47.163
Santa Bárbara: 55.667
Total: 214.670
Frota - Jan/2012 (crescimento de %)
Americana: 137.733 (92%)
Hortolândia: 68.779 (182,9%)
Nova Odessa: 31.897 (101,9%)
Sumaré: 116.771 (147,5%)
Santa Bárbara: 111.729 (100,7%)
Total: 466.909 (117,5%)
O Liberal, 26/02/2012
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Da Estônia para Americana, por um cavalo
Babá de cavalo. É o que melhor definiria o trabalho de Paul Turu, o estoniano de 28 anos que num final de tarde deste mês escovava com esmero os pelos castanhos de Peintre Celebre, o famoso garanhão europeu, campeão das pistas do turfe francês, que, aos 18 anos de idade, veio a Americana para prestar “serviços de reprodução” às éguas de um empresário dos ramos têxtil e siderúrgico. Dentro do estábulo, o cavalo parecia à vontade, ainda que os trovões que soavam do lado de fora o deixavam curioso. De onde Peintre Celebre veio, a Irlanda, sons do tipo são raros. “Fico imaginando o que ele deve estar pensando com todo esse barulho lá fora”, questiona-se Paul, num inglês carregado por um sotaque próximo ao alemão.
Desde os 20 anos, quando saiu da Estônia, Paul tem a missão de acompanhar cavalos que são conhecidos pela qualidade reprodutora. Ele já passou por Inglaterra, Irlanda, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e França, sempre seguindo os animais. Os países para onde viajam, porém, não são escolhidos aleatoriamente. Além da necessidade de quem contrata os “serviços” dos garanhões, a chegada a um novo local depende também da estação do ano. A temporada de reprodução no Brasil, por exemplo, vai de agosto a janeiro, quando as temperaturas marcam índices amenos.
Paul e Peintre Celebre desembarcaram em Americana em agosto do ano passado. A rotina da dupla começa bem cedo. Por volta das 6h30, ele leva o garanhão para uma caminhada, o que chama de “aquecimento”, e aproveita para deixá-lo se alimentar do pasto da fazenda. Pela tarde, o cavalo passa por uma higienização, faz as necessidades fisiológicas e se prepara para a reprodução com as éguas da fazenda. Apesar de não revelar cifras nem resultados, considerados confidenciais, Paul garante que Peintre Celebre tem feito um bom serviço e elogia o animal. “É um cavalo fácil de lidar e muito bem comportado”. Talvez por isso seja um dos garanhões mais viajados do mundo. “Ele já esteve em mais países do que eu, como no Japão”, conta.
O objetivo de estar ao lado do garanhão, explica Paul, é tentar manter a rotina e o ambiente do animal em qualquer lugar do planeta. Mas este acompanhamento pessoal dos cavalos não é comum. Geralmente, os próprios funcionários das fazendas que recebem os animais acabam prestando os cuidados necessários. O estoniano revela, porém, que se trata de uma opção da Coolmore Stud, a empresa irlandesa que ele representa. “É diferente quando você tem que cuidar de vinte cavalos e de um. Acreditamos que seja melhor desta maneira”.
A Coolmore é uma das maiores empresas do mundo que lidam com o chamado horse breeding, a reprodução de cavalos dirigida e seletiva. A intenção de quem procura pelos garanhões de empresas como ela é a tentativa de, com o acasalamento planejado, conseguir filhotes com características específicas. Além disso, este tipo de reprodução conta muitas vezes com tecnologias para aumentar a taxa de concepção e proporcionar uma gravidez saudável e um parto bem sucedido aos animais.
Segundo dados da CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária, o setor de criação de cavalos de raça e atividades relacionadas movimentam R$ 7,5 bilhões anualmente no país. No entanto, investir em garanhões ainda é privilégio de poucos endinheirados. O custo mensal de um cavalo de raça, o que inclui cuidados básicos, hospedagem e treinamento, é estimado entre R$ 1500 e R$ 2000.
A esta hora, Paul já deve estar de volta à Estônia. Quando conversou com a reportagem do LIBERAL, o estoniano, apaixonado pelos cavalos, já estava prestes para partir, já que a temporada no país chegava ao fim para Peintre Celebre. Ainda que timidamente, aproveitou para agradecer a hospitalidade brasileira. “Gostaria de agradecer a todos que me receberam, como o dono da fazenda, os veterinários e todo o pessoal que conheci. Foi uma ótima experiência”.
Número de estonianos no Brasil é baixo
No Brasil, a presença de estonianos é baixa. Segundo o cônsul geral honorário em São Paulo, Jüri Saukas (se pronuncia Iuri), as ondas de imigração ocorreram em duas épocas. Durante as décadas de 20 e 30, grupos de agricultores vieram ao país para aproveitar as terras ofertadas pelo governo brasileiro. Com a Europa devastada no período pós-guerra, no final da década de 40, outra leva de imigrantes desembarcou no Brasil.
Saukas estima vagamente que o número de estonianos vivendo em terras brasileiras nos dias atuais varie entre 5 e 10 mil e eles se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro. O dado, segundo ele, também deve incluir descendentes. “Dos que vieram há décadas, muitos foram embora para países como Estados Unidos e Canadá, por serem nações semelhantes à Estônia, principalmente, no clima”. O baixo número de imigrantes e descendentes contribui, por exemplo, para que o país seja pouco conhecido entre os brasileiros.
Localizada no norte da Europa e banhada pelo Mar Báltico, a Estônia se declarou independente da Rússia em 1918. De 1940 a 1991, existiu sob a foice e o martelo da extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Hoje, novamente livre, é uma das poucas nações da União Europeia que se gabam por não protagonizar as manchetes da crise financeira internacional, com crescimento da economia variando entre 4% e 5% ao ano. Metade da população é composta por russos, ucranianos e outras nacionalidades do leste europeu. No total, 1,3 milhão de pessoas vive num território do tamanho do estado do Espírito Santo, formado por 1500 ilhas, mil lagos e sete mil rios e riachos.
Menos trinta
No dia em que Paul conversou com a reportagem do LIBERAL, a temperatura da RPT (Região do Polo Têxtil) oscilava entre os 28 e 30°C. A sensação era bem diferente de Tallinn, capital da Estônia e cidade natal de Paul, onde o site do The Weather Channel, o “canal do tempo”, especialista em informações meteorológicas do mundo inteiro, previa termômetros marcando -2°C, sensação de -8°C e neve fraca. “Americana é uma cidade parecida com Tallinn, mas o clima aqui é bem mais agradável”, brinca o estoniano.
Entre as histórias sobre o dia a dia gélido do norte da Europa, Paul conta que as escolas e outros serviços municipais chegam a paralisar as atividades caso o frio chegue a -30°C, o que, segundo ele, ocorre uma ou duas vezes por ano. “É muito frio mesmo, mas as pessoas que nascem por lá acabam se acostumando”, diz. Tão extremo quanto os graus negativos, as horas de sol no país também são curiosas. Durante o inverno, a claridade do dia dura, em média, apenas seis horas. Em meses como dezembro e janeiro, no auge das baixas temperaturas, é comum o sol despontar às 10h e se por às 16h, por exemplo. Já no período de verão, ocorre o inverso. Entre às 4h e as 22h quase não se faz necessário acender as lâmpadas da cidade.
“Os estonianos são um povo organizado”, diz cônsul
Nos meses que conviveu com Paul, a universitária Natália Marin, 21, uma das moradoras da fazenda percebeu, entre muitas peculiaridades, a atenção especial que Paul dá aos números e aos dados. “Era comum, quando falávamos de qualquer assunto, ele pedir para quantificarmos. ‘Mas qual a porcentagem de brasileiros que vão às faculdades? Qual a população da cidade vizinha? Quantos anos dura o colegial de vocês? ’”, exemplifica.
A atração às estatísticas pode ser confirmada no site da capital estoniana, Tallinn. Lá, um cidadão atento consegue descobrir que em 2010 houve cinco assassinatos, 308 roubos, 185 acidentes de trabalho sérios, 19 acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados na cidade e diversas estatísticas pontuais reunidas em mais de 100 páginas. Os números fazem parte do Statistical Yearbook of Tallinn 2011, o anuário estatístico da cidade. O cônsul geral honorário, Jüri Saukas, explica: “Certa vez me disseram na Estônia o seguinte: ‘A gente aqui fazia as idiotices soviéticas com precisão germânica. É assim que funciona. Os estonianos são um povo extremamente organizado”.
O Liberal, 29/01/2012
Desde os 20 anos, quando saiu da Estônia, Paul tem a missão de acompanhar cavalos que são conhecidos pela qualidade reprodutora. Ele já passou por Inglaterra, Irlanda, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e França, sempre seguindo os animais. Os países para onde viajam, porém, não são escolhidos aleatoriamente. Além da necessidade de quem contrata os “serviços” dos garanhões, a chegada a um novo local depende também da estação do ano. A temporada de reprodução no Brasil, por exemplo, vai de agosto a janeiro, quando as temperaturas marcam índices amenos.
Paul e Peintre Celebre desembarcaram em Americana em agosto do ano passado. A rotina da dupla começa bem cedo. Por volta das 6h30, ele leva o garanhão para uma caminhada, o que chama de “aquecimento”, e aproveita para deixá-lo se alimentar do pasto da fazenda. Pela tarde, o cavalo passa por uma higienização, faz as necessidades fisiológicas e se prepara para a reprodução com as éguas da fazenda. Apesar de não revelar cifras nem resultados, considerados confidenciais, Paul garante que Peintre Celebre tem feito um bom serviço e elogia o animal. “É um cavalo fácil de lidar e muito bem comportado”. Talvez por isso seja um dos garanhões mais viajados do mundo. “Ele já esteve em mais países do que eu, como no Japão”, conta.
O objetivo de estar ao lado do garanhão, explica Paul, é tentar manter a rotina e o ambiente do animal em qualquer lugar do planeta. Mas este acompanhamento pessoal dos cavalos não é comum. Geralmente, os próprios funcionários das fazendas que recebem os animais acabam prestando os cuidados necessários. O estoniano revela, porém, que se trata de uma opção da Coolmore Stud, a empresa irlandesa que ele representa. “É diferente quando você tem que cuidar de vinte cavalos e de um. Acreditamos que seja melhor desta maneira”.
A Coolmore é uma das maiores empresas do mundo que lidam com o chamado horse breeding, a reprodução de cavalos dirigida e seletiva. A intenção de quem procura pelos garanhões de empresas como ela é a tentativa de, com o acasalamento planejado, conseguir filhotes com características específicas. Além disso, este tipo de reprodução conta muitas vezes com tecnologias para aumentar a taxa de concepção e proporcionar uma gravidez saudável e um parto bem sucedido aos animais.
Segundo dados da CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária, o setor de criação de cavalos de raça e atividades relacionadas movimentam R$ 7,5 bilhões anualmente no país. No entanto, investir em garanhões ainda é privilégio de poucos endinheirados. O custo mensal de um cavalo de raça, o que inclui cuidados básicos, hospedagem e treinamento, é estimado entre R$ 1500 e R$ 2000.
A esta hora, Paul já deve estar de volta à Estônia. Quando conversou com a reportagem do LIBERAL, o estoniano, apaixonado pelos cavalos, já estava prestes para partir, já que a temporada no país chegava ao fim para Peintre Celebre. Ainda que timidamente, aproveitou para agradecer a hospitalidade brasileira. “Gostaria de agradecer a todos que me receberam, como o dono da fazenda, os veterinários e todo o pessoal que conheci. Foi uma ótima experiência”.
Número de estonianos no Brasil é baixo
No Brasil, a presença de estonianos é baixa. Segundo o cônsul geral honorário em São Paulo, Jüri Saukas (se pronuncia Iuri), as ondas de imigração ocorreram em duas épocas. Durante as décadas de 20 e 30, grupos de agricultores vieram ao país para aproveitar as terras ofertadas pelo governo brasileiro. Com a Europa devastada no período pós-guerra, no final da década de 40, outra leva de imigrantes desembarcou no Brasil.
Saukas estima vagamente que o número de estonianos vivendo em terras brasileiras nos dias atuais varie entre 5 e 10 mil e eles se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro. O dado, segundo ele, também deve incluir descendentes. “Dos que vieram há décadas, muitos foram embora para países como Estados Unidos e Canadá, por serem nações semelhantes à Estônia, principalmente, no clima”. O baixo número de imigrantes e descendentes contribui, por exemplo, para que o país seja pouco conhecido entre os brasileiros.
Localizada no norte da Europa e banhada pelo Mar Báltico, a Estônia se declarou independente da Rússia em 1918. De 1940 a 1991, existiu sob a foice e o martelo da extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Hoje, novamente livre, é uma das poucas nações da União Europeia que se gabam por não protagonizar as manchetes da crise financeira internacional, com crescimento da economia variando entre 4% e 5% ao ano. Metade da população é composta por russos, ucranianos e outras nacionalidades do leste europeu. No total, 1,3 milhão de pessoas vive num território do tamanho do estado do Espírito Santo, formado por 1500 ilhas, mil lagos e sete mil rios e riachos.
Menos trinta
No dia em que Paul conversou com a reportagem do LIBERAL, a temperatura da RPT (Região do Polo Têxtil) oscilava entre os 28 e 30°C. A sensação era bem diferente de Tallinn, capital da Estônia e cidade natal de Paul, onde o site do The Weather Channel, o “canal do tempo”, especialista em informações meteorológicas do mundo inteiro, previa termômetros marcando -2°C, sensação de -8°C e neve fraca. “Americana é uma cidade parecida com Tallinn, mas o clima aqui é bem mais agradável”, brinca o estoniano.
Entre as histórias sobre o dia a dia gélido do norte da Europa, Paul conta que as escolas e outros serviços municipais chegam a paralisar as atividades caso o frio chegue a -30°C, o que, segundo ele, ocorre uma ou duas vezes por ano. “É muito frio mesmo, mas as pessoas que nascem por lá acabam se acostumando”, diz. Tão extremo quanto os graus negativos, as horas de sol no país também são curiosas. Durante o inverno, a claridade do dia dura, em média, apenas seis horas. Em meses como dezembro e janeiro, no auge das baixas temperaturas, é comum o sol despontar às 10h e se por às 16h, por exemplo. Já no período de verão, ocorre o inverso. Entre às 4h e as 22h quase não se faz necessário acender as lâmpadas da cidade.
“Os estonianos são um povo organizado”, diz cônsul
Nos meses que conviveu com Paul, a universitária Natália Marin, 21, uma das moradoras da fazenda percebeu, entre muitas peculiaridades, a atenção especial que Paul dá aos números e aos dados. “Era comum, quando falávamos de qualquer assunto, ele pedir para quantificarmos. ‘Mas qual a porcentagem de brasileiros que vão às faculdades? Qual a população da cidade vizinha? Quantos anos dura o colegial de vocês? ’”, exemplifica.
A atração às estatísticas pode ser confirmada no site da capital estoniana, Tallinn. Lá, um cidadão atento consegue descobrir que em 2010 houve cinco assassinatos, 308 roubos, 185 acidentes de trabalho sérios, 19 acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados na cidade e diversas estatísticas pontuais reunidas em mais de 100 páginas. Os números fazem parte do Statistical Yearbook of Tallinn 2011, o anuário estatístico da cidade. O cônsul geral honorário, Jüri Saukas, explica: “Certa vez me disseram na Estônia o seguinte: ‘A gente aqui fazia as idiotices soviéticas com precisão germânica. É assim que funciona. Os estonianos são um povo extremamente organizado”.
O Liberal, 29/01/2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
23% dos docentes da rede estadual estão afastados na RPT
Problemas de saúde mantêm 1,1 mil professores fora das salas de aula
A professora Maria* (nome fictício) deixou a sala de aula há cinco meses. Ela alega que não esperava que ser professora de uma escola da rede pública, em Santa Bárbara d'Oeste, pudesse ser tão difícil. "É complicado explicar o que me irrita mais. Se é a agitação dos alunos, o ambiente precário, o pó do giz ou a falta de sucesso na aprendizagem", conta. Os fatores citados, no entanto, desencadearam um problema muito bem definido. Maria tem depressão e faz parte de mais de 1,2 mil professores estaduais e municipais afastados por razões médicas na Região do Polo Têxtil.
Segundo números das secretarias estaduais de Educação e de Gestão Pública, a saúde debilitada é a causa do afastamento de 1.111 educadores dos colégios estaduais na região. O número nas cinco cidades ainda é baixo se comparado com o total de professores em licença para tratamento de saúde no Estado, 49.739. Regionalmente, porém, corresponde a 23% do quadro do magistério estadual da RPT.
A cidade de Sumaré, detentora do maior quadro de educadores estaduais, lidera as licenças no âmbito regional. Dados atuais da Gestão Pública apontam que 333 professores, de 1.453, estão afastados por motivos de saúde. Em seguida, figuram Santa Bárbara d'Oeste (265), Americana (263), Hortolândia (202) e Nova Odessa (48). A Secretaria de Educação informou que transtornos ansiosos, problemas de coluna, cordas vocais, depressão e ginecológicos estão entre as principais doenças motivadoras de licença dos docentes. A pasta não soube especificar qual seria a principal.
Em relação às escolas municipais, com exceção de Americana (que não respondeu à reportagem), o ranking de afastados também é encabeçado por Sumaré, com 66 professores de licença médica, mas a porcentagem é menor, 7,7%. No total, as quatro cidades somam 186 afastados no quadro composto por 2867 educadores.
Ainda no município sumareense, de acordo com o Sesmet (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), da Prefeitura, 80% dos afastamentos são devido à depressão. Em Hortolândia, a Administração citou a mesma doença, além de problemas ortopédicos e respiratórios como as principais causas de licenças.
CONSEQUÊNCIAS
Maria se sente envergonhada ao comentar o assunto e, por isso, pediu discrição à reportagem. Assim como ela, grande parte dos educadores sofre com problemas psicológicos, alguns mais, outros menos. Quando ainda estão em atuação, os sintomas são refletidos dentro das classes, com a incapacidade de atrair a atenção dos alunos e com o desestímulo de preparar e passar o conteúdo. O reflexo também pode acontecer de maneira inversa.
A psicóloga e mediadora em uma escola estadual de Americana, Ilma Boraschi, explica que o desempenho na sala de aula pode afetar a saúde e o lado emocional dos educadores. "O professor se frustra quando planeja uma aula e não consegue ministrá-la de uma maneira satisfatória. Parto da premissa de que, se trabalhamos com crianças e adolescentes, é porque gostamos. Nós temos um ideal mas, com o decorrer do tempo, esse ideal vai se frustrando", afirma.
A descrença no trabalho e as situações encontradas, de acordo com a psicóloga, geram um desgaste no professor. A conselheira e vice-coordenadora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Irenice Neri, cita ainda outros problemas. "A sobrecarga, o estresse do dia a dia e classes lotadas fazem com que o professor adoeça". Segundo ela, o sindicato realiza pesquisas sobre a saúde dos educadores e busca dar orientações sobre o assunto a quem necessita. Mesmo assim, ela não hesita em dizer que a situação "é grave".
Professor deve fazer reflexão
Para a coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, não há uma receita para preparar um professor para entrar nas salas de aula. Segundo ela, o que existe é um trabalho que as faculdades fazem a partir de seus currículos, sobre as didáticas, práticas e metodologias de ensino.
Além disso, ela ressalta o trabalho de reflexão sobre a profissão. "Hoje, mais do que uma parte prática, é preciso incentivar o professor a refletir sobre a própria prática, ou seja, por que ele é professor, o que ele faz na sala, qual a repercussão de suas ações", explica.
Baseada em pesquisas, a coordenadora afirma que os problemas de saúde que os docentes sofrem não surgem nos primeiros anos de magistério. "As pesquisas dizem que o adoecimento se dá a partir de 10, 12 anos. O professor não adoece quando chega à sala de aula, mas quando permanece nela".
Em São Paulo, a psicóloga Flávia Gonçalves Silva é autora de uma dissertação de mestrado cujo objetivo foi analisar o dia a dia profissional de quatro professoras da rede estadual em São Paulo e como o trabalho proporcionou-lhes prazer ou problemas de saúde. A publicação, disponível na íntegra na Biblioteca Virtual da PUC-São Paulo, aborda as dificuldades e como, apesar dos percalços, as professoras continuam a exercer o trabalho no magistério.
"A investigação revelou que as condições inadequadas e alienadoras encontradas pelos professores para executar sua atividade estavam ocasionando adoecimentos relacionados, principalmente, com as emoções e sentimentos desses profissionais (estresse, labirintite, depressão) gerando também outras doenças, como foi o caso de dois professores", diz um trecho do trabalho. De acordo com o trabalho, a escola pública brasileira não vem conseguindo ensinar os alunos a "aprender a aprender".
Atividades recreativas amenizam problemas
Nas cidades da RPT, alguns projetos municipais tentam combater o afastamento de professores motivado por problemas de saúde. A Secretaria de Educação e Saúde Ocupacional de Hortolândia realiza uma série de ações de acolhimento ao professor. Neste ano, uma assistente social foi contratada para cuidar especificamente dos profissionais da educação.
Foram dadas orientações aos gestores para acolher os professores e ficarem atentos aos problemas psicológicos e físicos. Para o ano que vem, a Prefeitura pretende implantar a Casa do Educador, onde o servidor terá massagem, psicólogo, assistente social, dança, ginástica e outras atividades.
Segundo o Sesmet, em Sumaré há uma psicóloga que avalia e acompanha os casos crônicos. Existe também, desde junho, um trabalho em andamento com levantamento estatístico detalhado sobre causas dos afastamentos de professores. O objetivo é fazer um estudo e combater o problema, detectando eventuais abusos e tratando casos que houver necessidade. O estudo será concluído no primeiro semestre de 2012 e apresentado às secretarias.
Governo de SP investe para reduzir licenças
O Governo do Estado criou o programa SP Educação com Saúde no início deste ano, com o objetivo de oferecer não só ações preventivas, mas também suporte para funcionários que apresentem problemas de saúde. Nesses casos, eles serão encaminhados para tratamento de acordo com a especialidade médica. Com o programa, espera-se reduzir a incidência de problemas como estresse ocupacional, doenças osteomusculares, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, hipertensão, diabetes, transtornos mentais e tabagismo.
O programa recebeu R$ 27 milhões em investimentos para reduzir faltas e licenças médicas. Nesta fase inicial, o projeto está em andamento em 13 diretorias de ensino e 1.057 escolas estaduais da capital, beneficiando 69 mil servidores. As unidades participantes do projeto-piloto realizado entre 2007 e 2008 apresentaram redução significativa no número de faltas e licenças médicas solicitadas por professores. Na Escola Estadual Lasar Segall, na Vila Mariana, em São Paulo, por exemplo, a diminuição chegou a 77%.
A professora Maria* (nome fictício) deixou a sala de aula há cinco meses. Ela alega que não esperava que ser professora de uma escola da rede pública, em Santa Bárbara d'Oeste, pudesse ser tão difícil. "É complicado explicar o que me irrita mais. Se é a agitação dos alunos, o ambiente precário, o pó do giz ou a falta de sucesso na aprendizagem", conta. Os fatores citados, no entanto, desencadearam um problema muito bem definido. Maria tem depressão e faz parte de mais de 1,2 mil professores estaduais e municipais afastados por razões médicas na Região do Polo Têxtil.
Segundo números das secretarias estaduais de Educação e de Gestão Pública, a saúde debilitada é a causa do afastamento de 1.111 educadores dos colégios estaduais na região. O número nas cinco cidades ainda é baixo se comparado com o total de professores em licença para tratamento de saúde no Estado, 49.739. Regionalmente, porém, corresponde a 23% do quadro do magistério estadual da RPT.
A cidade de Sumaré, detentora do maior quadro de educadores estaduais, lidera as licenças no âmbito regional. Dados atuais da Gestão Pública apontam que 333 professores, de 1.453, estão afastados por motivos de saúde. Em seguida, figuram Santa Bárbara d'Oeste (265), Americana (263), Hortolândia (202) e Nova Odessa (48). A Secretaria de Educação informou que transtornos ansiosos, problemas de coluna, cordas vocais, depressão e ginecológicos estão entre as principais doenças motivadoras de licença dos docentes. A pasta não soube especificar qual seria a principal.
Em relação às escolas municipais, com exceção de Americana (que não respondeu à reportagem), o ranking de afastados também é encabeçado por Sumaré, com 66 professores de licença médica, mas a porcentagem é menor, 7,7%. No total, as quatro cidades somam 186 afastados no quadro composto por 2867 educadores.
Ainda no município sumareense, de acordo com o Sesmet (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), da Prefeitura, 80% dos afastamentos são devido à depressão. Em Hortolândia, a Administração citou a mesma doença, além de problemas ortopédicos e respiratórios como as principais causas de licenças.
CONSEQUÊNCIAS
Maria se sente envergonhada ao comentar o assunto e, por isso, pediu discrição à reportagem. Assim como ela, grande parte dos educadores sofre com problemas psicológicos, alguns mais, outros menos. Quando ainda estão em atuação, os sintomas são refletidos dentro das classes, com a incapacidade de atrair a atenção dos alunos e com o desestímulo de preparar e passar o conteúdo. O reflexo também pode acontecer de maneira inversa.
A psicóloga e mediadora em uma escola estadual de Americana, Ilma Boraschi, explica que o desempenho na sala de aula pode afetar a saúde e o lado emocional dos educadores. "O professor se frustra quando planeja uma aula e não consegue ministrá-la de uma maneira satisfatória. Parto da premissa de que, se trabalhamos com crianças e adolescentes, é porque gostamos. Nós temos um ideal mas, com o decorrer do tempo, esse ideal vai se frustrando", afirma.
A descrença no trabalho e as situações encontradas, de acordo com a psicóloga, geram um desgaste no professor. A conselheira e vice-coordenadora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Irenice Neri, cita ainda outros problemas. "A sobrecarga, o estresse do dia a dia e classes lotadas fazem com que o professor adoeça". Segundo ela, o sindicato realiza pesquisas sobre a saúde dos educadores e busca dar orientações sobre o assunto a quem necessita. Mesmo assim, ela não hesita em dizer que a situação "é grave".
Professor deve fazer reflexão
Para a coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, não há uma receita para preparar um professor para entrar nas salas de aula. Segundo ela, o que existe é um trabalho que as faculdades fazem a partir de seus currículos, sobre as didáticas, práticas e metodologias de ensino.
Além disso, ela ressalta o trabalho de reflexão sobre a profissão. "Hoje, mais do que uma parte prática, é preciso incentivar o professor a refletir sobre a própria prática, ou seja, por que ele é professor, o que ele faz na sala, qual a repercussão de suas ações", explica.
Baseada em pesquisas, a coordenadora afirma que os problemas de saúde que os docentes sofrem não surgem nos primeiros anos de magistério. "As pesquisas dizem que o adoecimento se dá a partir de 10, 12 anos. O professor não adoece quando chega à sala de aula, mas quando permanece nela".
Em São Paulo, a psicóloga Flávia Gonçalves Silva é autora de uma dissertação de mestrado cujo objetivo foi analisar o dia a dia profissional de quatro professoras da rede estadual em São Paulo e como o trabalho proporcionou-lhes prazer ou problemas de saúde. A publicação, disponível na íntegra na Biblioteca Virtual da PUC-São Paulo, aborda as dificuldades e como, apesar dos percalços, as professoras continuam a exercer o trabalho no magistério.
"A investigação revelou que as condições inadequadas e alienadoras encontradas pelos professores para executar sua atividade estavam ocasionando adoecimentos relacionados, principalmente, com as emoções e sentimentos desses profissionais (estresse, labirintite, depressão) gerando também outras doenças, como foi o caso de dois professores", diz um trecho do trabalho. De acordo com o trabalho, a escola pública brasileira não vem conseguindo ensinar os alunos a "aprender a aprender".
Atividades recreativas amenizam problemas
Nas cidades da RPT, alguns projetos municipais tentam combater o afastamento de professores motivado por problemas de saúde. A Secretaria de Educação e Saúde Ocupacional de Hortolândia realiza uma série de ações de acolhimento ao professor. Neste ano, uma assistente social foi contratada para cuidar especificamente dos profissionais da educação.
Foram dadas orientações aos gestores para acolher os professores e ficarem atentos aos problemas psicológicos e físicos. Para o ano que vem, a Prefeitura pretende implantar a Casa do Educador, onde o servidor terá massagem, psicólogo, assistente social, dança, ginástica e outras atividades.
Segundo o Sesmet, em Sumaré há uma psicóloga que avalia e acompanha os casos crônicos. Existe também, desde junho, um trabalho em andamento com levantamento estatístico detalhado sobre causas dos afastamentos de professores. O objetivo é fazer um estudo e combater o problema, detectando eventuais abusos e tratando casos que houver necessidade. O estudo será concluído no primeiro semestre de 2012 e apresentado às secretarias.
Governo de SP investe para reduzir licenças
O Governo do Estado criou o programa SP Educação com Saúde no início deste ano, com o objetivo de oferecer não só ações preventivas, mas também suporte para funcionários que apresentem problemas de saúde. Nesses casos, eles serão encaminhados para tratamento de acordo com a especialidade médica. Com o programa, espera-se reduzir a incidência de problemas como estresse ocupacional, doenças osteomusculares, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, hipertensão, diabetes, transtornos mentais e tabagismo.
O programa recebeu R$ 27 milhões em investimentos para reduzir faltas e licenças médicas. Nesta fase inicial, o projeto está em andamento em 13 diretorias de ensino e 1.057 escolas estaduais da capital, beneficiando 69 mil servidores. As unidades participantes do projeto-piloto realizado entre 2007 e 2008 apresentaram redução significativa no número de faltas e licenças médicas solicitadas por professores. Na Escola Estadual Lasar Segall, na Vila Mariana, em São Paulo, por exemplo, a diminuição chegou a 77%.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Redes viram espaço de debate entre políticos da região
Na Região do Polo Têxtil, os políticos de Americana são os que lideram as interações utilizando Twitter e Facebook
Na RPT (Região do Polo Têxtil), pouco mais da metade dos integrantes do Legislativo possui perfis nas redes. Nos sites de busca é possível encontrar pelo menos 32 dos 60 vereadores da região. Alguns figuram apenas no Twitter, outros só no Facebook.
Os vereadores de Americana são os mais conectados. Somente a vereadora Leonora do Postinho (PPS) ainda hesita em participar da rede. A reportagem tentou descobrir a razão, mas não foi atendida pela parlamentar. Entre os prefeitos, o de Americana, Diego De Nadai (PSDB) é o mais ativo de uma lista de conectados que só traz mais dois, Manoel Samartin (PDT), de Nova Odessa, e José Antonio Bacchim (PT), de Sumaré.
O representante hortolandense, Ângelo Perugini (PT) e o pedetista Mário Heins, de Santa Bárbara d'Oeste, estão off-line.
O vereador Celso Zoppi (PT), integrante da oposição americanense, avalia a utilização das redes tanto pelo lado negativo como positivo. Ele explica que pessoas de má-fé podem se apoderar dos recursos tecnológicos para denegrir a imagem de outras ou distorcer informações. No entanto, Zoppi afirma que muitas manifestações virtuais podem ajudar nas discussões políticas.
"Há uma interação grande entre pessoas, ligadas ou não à política, que tem propiciado um debate, haja vista a manifestação sobre o aumento dos salários dos vereadores da cidade", avaliou.
O petista se refere ao protesto que reuniu mais de duas mil pessoas no Facebook. O evento criado na rede social, semana passada, convidou a população de Americana a uma passeata contra o aumento de 60% no salário dos parlamentares.
No sábado, dia 26, centenas levaram o protesto virtual às ruas do município, com faixas, bandeiras, narizes de palhaço e palavras de ordem. Um dos organizadores, o analista Marcelo Tuim, citou a grande indignação virtual como um dos motivos da concretização da passeata.
Nas duas redes sociais, o conteúdo das postagens varia pouco. As ações políticas são as mais publicadas e comentadas e, não raro, despertam a ira de alguns usuários, sejam eles políticos ou não. Como exemplo, o vereador Luiz Antonio Crivelari (PSD) se irritou quando um morador da cidade ironizou com um "bom dia aos parlamentares que aprovaram o projeto de aumento do salário".
A postagem remeteu ao perfil de Crivelari, que retrucou com uma frase infeliz: "ô, zé mané, dá um tempo". Em poucos minutos, choveram comentários prós e contras.
Conectados
Em setembro, uma pesquisa feita pelo IBOPE Nielsen Online concluiu que o Brasil possui um mercado com elevada utilização de redes sociais. Os dados mostraram que 87% das pessoas com acesso à internet estão nas redes sociais.
O número corresponde a 67,6 milhões de pessoas. Segundo a pesquisa, em agosto, cada usuário brasileiro de redes sociais conectou-se a esses sites por um tempo médio de 7 horas e 14 minutos.
A pesquisa mostrou ainda que o acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses ou outros locais) chegou a 77,8 milhões de pessoas, entre os meses de abril e junho deste ano. O número é 20% maior do que o do mesmo período em 2009.
O Liberal, 03/12/2011
Na RPT (Região do Polo Têxtil), pouco mais da metade dos integrantes do Legislativo possui perfis nas redes. Nos sites de busca é possível encontrar pelo menos 32 dos 60 vereadores da região. Alguns figuram apenas no Twitter, outros só no Facebook.
Os vereadores de Americana são os mais conectados. Somente a vereadora Leonora do Postinho (PPS) ainda hesita em participar da rede. A reportagem tentou descobrir a razão, mas não foi atendida pela parlamentar. Entre os prefeitos, o de Americana, Diego De Nadai (PSDB) é o mais ativo de uma lista de conectados que só traz mais dois, Manoel Samartin (PDT), de Nova Odessa, e José Antonio Bacchim (PT), de Sumaré.
O representante hortolandense, Ângelo Perugini (PT) e o pedetista Mário Heins, de Santa Bárbara d'Oeste, estão off-line.
O vereador Celso Zoppi (PT), integrante da oposição americanense, avalia a utilização das redes tanto pelo lado negativo como positivo. Ele explica que pessoas de má-fé podem se apoderar dos recursos tecnológicos para denegrir a imagem de outras ou distorcer informações. No entanto, Zoppi afirma que muitas manifestações virtuais podem ajudar nas discussões políticas.
"Há uma interação grande entre pessoas, ligadas ou não à política, que tem propiciado um debate, haja vista a manifestação sobre o aumento dos salários dos vereadores da cidade", avaliou.
O petista se refere ao protesto que reuniu mais de duas mil pessoas no Facebook. O evento criado na rede social, semana passada, convidou a população de Americana a uma passeata contra o aumento de 60% no salário dos parlamentares.
No sábado, dia 26, centenas levaram o protesto virtual às ruas do município, com faixas, bandeiras, narizes de palhaço e palavras de ordem. Um dos organizadores, o analista Marcelo Tuim, citou a grande indignação virtual como um dos motivos da concretização da passeata.
Nas duas redes sociais, o conteúdo das postagens varia pouco. As ações políticas são as mais publicadas e comentadas e, não raro, despertam a ira de alguns usuários, sejam eles políticos ou não. Como exemplo, o vereador Luiz Antonio Crivelari (PSD) se irritou quando um morador da cidade ironizou com um "bom dia aos parlamentares que aprovaram o projeto de aumento do salário".
A postagem remeteu ao perfil de Crivelari, que retrucou com uma frase infeliz: "ô, zé mané, dá um tempo". Em poucos minutos, choveram comentários prós e contras.
Conectados
Em setembro, uma pesquisa feita pelo IBOPE Nielsen Online concluiu que o Brasil possui um mercado com elevada utilização de redes sociais. Os dados mostraram que 87% das pessoas com acesso à internet estão nas redes sociais.
O número corresponde a 67,6 milhões de pessoas. Segundo a pesquisa, em agosto, cada usuário brasileiro de redes sociais conectou-se a esses sites por um tempo médio de 7 horas e 14 minutos.
A pesquisa mostrou ainda que o acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses ou outros locais) chegou a 77,8 milhões de pessoas, entre os meses de abril e junho deste ano. O número é 20% maior do que o do mesmo período em 2009.
O Liberal, 03/12/2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Famílias temem novas perdas com proximidade do verão
Temporada de chuvas leva moradores a relembrar tragédias
A aproximação da temporada de chuvas aliada à lentidão do poder público na transferência das famílias que vivem às margens do Ribeirão Quilombo, em Sumaré, contribui significativamente para aumentar o clima de apreensão entre aqueles que já contabilizaram não só perdas humanas, mas também materiais.
Em março deste ano, a dona de casa Lidosângela Nascimento Leite, de 36 anos, perdeu o marido, Alexandre Quintino da Silva, de 40 anos, vítima de leptospirose contraída após a enchente do começo do mês.
O laudo médico da morte, feito no Hospital Estadual de Sumaré no dia 3 de março, aponta o contato com água de enchente e que há seis dias Silva já vinha apresentando febre e dor muscular. Dois filhos do casal estão em São Paulo, contando com apoio psicológico para superar a morte do pai, diz ela.
No dia em que a reportagem do LIBERAL passou pelo Jardim Basilicata, um dos bairros mais atingidos pelas enchentes, Lidosângela ajudava um amigo a finalizar a construção de um muro de cerca de 30 centímetros na fachada da casa, num pequeno terreno cujo fundo é o Ribeirão Quilombo.
A mureta tem um objetivo claro. "É pra não inundar quando a chuva vier", explica. Ela convidou a reportagem para entrar e de cômodo em cômodo foi mostrando as rachaduras, as marcas e os prejuízos causados pela enchente que matou o marido.
São danos reparáveis, possíveis de serem consertados com tempo e um pouco de dinheiro, seja ele da Prefeitura ou do próprio bolso, conta ela.
Danos bem diferentes do que a morte de Silva. Mãe de seis filhos, Lidosângela diz que já chamou a Defesa Civil e pediu ajuda à Prefeitura, no entanto, nada é resolvido. Desempregada, ela se sente impossibilitada de sair todos os dias para procurar emprego, pois teme que funcionários da Defesa vão até a casa e a encontre vazia para avaliar os danos.
"Em março, eles vieram, tiraram fotos e ficaram de fazer um laudo. Eu preciso do laudo, com as fotos, para levar à assistente social e à (Secretaria) Habitação tomar uma providência. Só que até agora não tenho resultado", lamentou.
Duas casas antes da de Lidosângela, a aposentada Magdalena Crepusculi dos Santos, de 76 anos, ainda chora quando se lembra do filho, Alexandre Crepusculi dos Santos, de 46 anos, outra vítima de leptospirose após uma enchente em janeiro do ano passado. Com a voz carregada de emoção, ela confessa: "É uma dor muito grande".
Assim como a vizinha, Magdalena se revolta ao comentar o trato da Administração quanto aos moradores do bairro e de outras áreas de risco. "No começo do ano, perdi tudo o que tinha e, após a chuva, tive que implorar para conseguir um colchão e um cobertor. Cada hora eles dizem uma coisa, que vai levar para um bairro, para outro, mas as casas nunca ficam prontas".
O relatório de avaliação de danos (Avadan) encaminhado pela Prefeitura ao Governo Federal, em janeiro, apontou prejuízos de R$ 10 milhões de reais após as chuvas que caíram no início do ano. Entre os dias 3 e 6 de janeiro, estragos foram causados em 37 bairros de Sumaré.
Houve alagamentos em 17 áreas, 179 pessoas ficaram desabrigadas e 3.928 desalojadas, num total de 6.250 famílias que foram afetadas de alguma forma pelas chuvas. Cinco casas foram destruídas e 750 ficaram danificadas, além de seis pontes que sofreram avarias em suas bases devido à erosão, nos bairros Matão, Jardim Dall'Orto, Jardim Manchester, Jardim Dulce, e Parque Jatobá.
Em março deste ano, o Ministério da Integração Nacional liberou R$ 30 milhões para 33 cidades paulistas que sofreram com as chuvas do começo do ano. Sumaré foi o município que recebeu a maior porcentagem, pouco mais de 10%, totalizando R$ 3,1 milhões.
No entanto, apenas R$ 1,8 milhão (60%) fora disponibilizado pelo governo. Os recursos federais foram investidos em 13 obras (listadas no quadro no final da página) que recuperaram pontes, ruas e contiveram erosões, mas não convenceram moradores de que o problema de enchentes seria sanado.
Famílias aguardam remoção
Uma das reclamações recorrentes entre as pessoas que vivem nas zonas de risco é a demora nas ações prometidas pela Prefeitura. A dona de casa Sandrelina Rodrigues Pereira afirmou estar na lista dos cadastrados para as novas construções do Residencial Portal Bordon II e "não vê a hora de sair do Jardim Alvorada". Em janeiro desse ano, a Prefeitura abriu licitação para construção de 135 moradias no Residencial Portal Bordon II. De acordo com o secretário de Habitação de Sumaré, Jesuel Pereira, as casas já estão em construção.
Vivendo às margens do Ribeirão Quilombo, Sandrelina conta que a situação é crítica durante os períodos de chuva. Ela reclama do cheiro forte de lixo acumulado na beirada do rio. "É um cheiro insuportável. É difícil até para almoçar. A gente fica enjoada e às vezes não consegue comer nada porque o cheiro fica impregnado em nossa casa". No lado de fora da casa, onde há, por ironia ou não, uma ferradura, uma marca que supera um metro registra a altura que a água chegou durante o último temporal.
Está em fase de estudos a construção de 220 novas moradias, com recursos municipais e estaduais, destinadas à remoção de moradores que vivem em áreas de vulnerabilidade social em Sumaré. Além disso, 2.087 moradias populares estão em construção, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, em cinco diferentes empreendimentos nos bairros: Jardim Santa Maria, Dall'Orto, Volobueff, Bom Retiro e Matão.
A Prefeitura informou que as famílias que residem em áreas sujeitas a inundações no Jardim São Domingos já foram removidas para 54 moradias no Jardim das Orquídeas, construídas pela Administração Municipal por meio do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH).
Segundo o secretário de Habitação, assim que as famílias foram removidas para as novas casas, as antigas moradias serão derrubadas, impedindo que outras pessoas venham a se abrigar em área de risco.
Sobre as ações de drenagens dos rios, a assessoria de imprensa afirmou que a macrodrenagem do Ribeirão Quilombo vem sendo discutida pelas cidades de Campinas, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e Americana, municípios integrantes da bacia do Quilombo.
Publicado em 23/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YLIX
Movimentos ocupam 100 mil m² na RPT
Sem-teto permanecem em áreas em Sumaré e Hortolândia; prefeituras tentam resolver problema

Foto (Marcelo Rocha): Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto ocupam área de 70 mil metros quadrados, no limite entre dois bairros de Hortolândia
Um levantamento feito pela reportagem do LIBERAL aponta que, atualmente, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupa 100 mil metros quadrados em terrenos da RPT (Região do Polo Têxtil). O número subiu nos últimos meses com a ocupação de uma área no Jardim Minda, em Hortolândia.
No limite entre os jardins Minda e São Jorge, é possível ver boa parte da cidade de Hortolândia e notar os prédios e as construções residenciais e comerciais, reflexos do crescimento econômico do município. Um grupo de pessoas enxerga esta paisagem todos os dias, mas não consegue crescer no ritmo hortolandense. Cerca de 300 famílias (os números são estimativas, já que não há um censo pontual) do MTST armaram ali suas barracas, feitas com madeira e pedaços de lona. Juntos, ocupam uma área de 70 mil metros quadrados e, vez ou outra, saem pelas ruas da cidade protestando contra a falta de um lugar para morar. A alguns quilômetros dali, em Sumaré, outras 300 famílias vivem, há quase três anos, numa área de 30 mil metros quadrados, no Jardim Denadai.
O professor de ciências políticas da PUC-Campinas, Leandro Galastri, explica que o potencial econômico da região e a especulação imobiliária muito presente acabam atraindo ocupações e manifestações nas cidades. "Além disso, o aumento de ocupações prediais e de terrenos tem a ver com a intensificação da pobreza, com a crise econômica e com o ambiente político. Estas ações podem ter uma recepção mais favorável por conta da opinião pública, em virtude da disseminação das informações", afirma o professor.
No final de setembro, manifestantes da ocupação Dandara queimaram pneus na Rua Luiz Camilo de Camargo, no Centro de Hortolândia. De acordo com uma das coordenadoras do movimento, Ana Paula Ribeiro, o ato foi uma reação à falta de negociações por moradias com a Prefeitura. Em agosto, diversas famílias acamparam em frente ao prédio da Administração exigindo que moradias fossem destinadas aos integrantes. A Secretaria de Habitação, por sua vez, pediu informações das famílias para inclusão no cadastro.
As manifestações e ocupações, segundo Galastri, são uma forma de o movimento chamar a atenção das instituições. "Já se tornou praticamente uma falácia a negociação por vias institucionais com governos, fazendeiros e empresários. Se conversando nada funciona, o único recurso é chamar a atenção para que a conversa comece a se desenvolver. Um dos recursos é a ocupação", explica. "Nessa relação de forças entre interesses de ricos e pobres, o diálogo não funciona se não houver pressões que, uma hora ou outra, escapam dos limites da institucionalidade".
Em Sumaré, a situação é parecida. Em resposta à reportagem, a Prefeitura afirmou que já realizou o cadastro habitacional de todas as famílias, onde foi constatada a participação de famílias de Campinas e Hortolândia e, em acordo, famílias que não tinham para onde ir poderiam ficar em um trecho da área ocupada. "O compromisso da Prefeitura e do governo federal era de viabilizar, por meio do 'Minha Casa, Minha Vida', moradias populares para atender essa ocupação e a demanda do município. Está em tramitação no Ministério das Cidades a proposta de construção de mais de duas mil moradias. A Prefeitura está no aguardo deste anúncio", respondeu a assessoria.
Prefeitura aceita apenas 130 famílias em lista
A Prefeitura de Hortolândia recusou parte dos cadastros entregues pelo MTST há duas semanas. De acordo com a coordenadoria do movimento, havia cerca de 510 famílias cadastradas, no entanto, somente 130 foram aceitas pela Administração. A lista com nome e origem das pessoas é necessária para a Prefeitura realizar o levantamento socioeconômico das famílias e comprovar quem mora na cidade, outro critério exigido para participar do programa habitacional. De acordo com a Administração, as famílias que comprovarem vínculo com a cidade nos últimos dois anos seriam incluídas no programa municipal.
O coordenador do movimento, Guilherme Simões, afirmou que a Prefeitura não havia cumprido um acordo firmado no final de 2009 para alocar famílias hortolandenses que estavam no acampamento Zumbi dos Palmares, em Sumaré.
Em Hortolândia, segundo a assessoria de comunicação, já foram construídas e entregues 1.374 moradias a famílias removidas de áreas de risco ou que estavam em situação de vulnerabilidade. Outras 1.069 habitações estão em fase de obras ou licitação, com contratos assinados e garantia de entrega até o final de 2012. As ações somam um investimento de mais de R$ 35 milhões, além de R$ 60 milhões destinados à construção de unidades do "Minha Casa, Minha Vida". Há também projetos para construção de mais 2,3 mil moradias do programa estão em análise na Caixa Econômica Federal. A meta da Prefeitura é entregar cerca de cinco mil casas até o final do ano que vem.
Câmara aprova movimento e promete ajuda
Vereadores de Hortolândia estão apoiando as reivindicações por moradias feitas pelo MTST. George Burlandy (PR) é um dos que estão cobrando do Poder Executivo uma iniciativa que atenda aos pedidos do movimento. Na última sessão da Câmara, o vereador protocolou um projeto de lei, uma indicação, um requerimento e uma moção, todos pedindo a desapropriação da área para que seja criado um centro populacional que abrigue os manifestantes. No entanto, o projeto não foi votado, já que não caberia ao Legislativo decidir sobre a desapropriação.
"Ficou em consenso que mandaríamos para o Executivo como minuta de projeto de lei", explicou. "Comprometi-me com o movimento que faria dentro do Legislativo tudo o que fosse possível para poder ajudá-los, porque eu vi que o movimento é sério. A luta deles é séria e mais de 95% dos integrantes são de Hortolândia. São pessoas trabalhadoras e organizadas", comentou o vereador.
Os vereadores também aprovaram uma moção de apoio ao MTST, de autoria do presidente da Câmara, José Nazareno Gomes (PT). "Todo o Legislativo está aqui para apoiar os movimentos de luta por seus direitos. Nada mais do que justo as pessoas terem o direito pela moradia e estamos dispostos a fazer o possível para ajudar", comentou o presidente, na época.
Publicado em 23/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YLHn

Foto (Marcelo Rocha): Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto ocupam área de 70 mil metros quadrados, no limite entre dois bairros de Hortolândia
Um levantamento feito pela reportagem do LIBERAL aponta que, atualmente, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupa 100 mil metros quadrados em terrenos da RPT (Região do Polo Têxtil). O número subiu nos últimos meses com a ocupação de uma área no Jardim Minda, em Hortolândia.
No limite entre os jardins Minda e São Jorge, é possível ver boa parte da cidade de Hortolândia e notar os prédios e as construções residenciais e comerciais, reflexos do crescimento econômico do município. Um grupo de pessoas enxerga esta paisagem todos os dias, mas não consegue crescer no ritmo hortolandense. Cerca de 300 famílias (os números são estimativas, já que não há um censo pontual) do MTST armaram ali suas barracas, feitas com madeira e pedaços de lona. Juntos, ocupam uma área de 70 mil metros quadrados e, vez ou outra, saem pelas ruas da cidade protestando contra a falta de um lugar para morar. A alguns quilômetros dali, em Sumaré, outras 300 famílias vivem, há quase três anos, numa área de 30 mil metros quadrados, no Jardim Denadai.
O professor de ciências políticas da PUC-Campinas, Leandro Galastri, explica que o potencial econômico da região e a especulação imobiliária muito presente acabam atraindo ocupações e manifestações nas cidades. "Além disso, o aumento de ocupações prediais e de terrenos tem a ver com a intensificação da pobreza, com a crise econômica e com o ambiente político. Estas ações podem ter uma recepção mais favorável por conta da opinião pública, em virtude da disseminação das informações", afirma o professor.
No final de setembro, manifestantes da ocupação Dandara queimaram pneus na Rua Luiz Camilo de Camargo, no Centro de Hortolândia. De acordo com uma das coordenadoras do movimento, Ana Paula Ribeiro, o ato foi uma reação à falta de negociações por moradias com a Prefeitura. Em agosto, diversas famílias acamparam em frente ao prédio da Administração exigindo que moradias fossem destinadas aos integrantes. A Secretaria de Habitação, por sua vez, pediu informações das famílias para inclusão no cadastro.
As manifestações e ocupações, segundo Galastri, são uma forma de o movimento chamar a atenção das instituições. "Já se tornou praticamente uma falácia a negociação por vias institucionais com governos, fazendeiros e empresários. Se conversando nada funciona, o único recurso é chamar a atenção para que a conversa comece a se desenvolver. Um dos recursos é a ocupação", explica. "Nessa relação de forças entre interesses de ricos e pobres, o diálogo não funciona se não houver pressões que, uma hora ou outra, escapam dos limites da institucionalidade".
Em Sumaré, a situação é parecida. Em resposta à reportagem, a Prefeitura afirmou que já realizou o cadastro habitacional de todas as famílias, onde foi constatada a participação de famílias de Campinas e Hortolândia e, em acordo, famílias que não tinham para onde ir poderiam ficar em um trecho da área ocupada. "O compromisso da Prefeitura e do governo federal era de viabilizar, por meio do 'Minha Casa, Minha Vida', moradias populares para atender essa ocupação e a demanda do município. Está em tramitação no Ministério das Cidades a proposta de construção de mais de duas mil moradias. A Prefeitura está no aguardo deste anúncio", respondeu a assessoria.
Prefeitura aceita apenas 130 famílias em lista
A Prefeitura de Hortolândia recusou parte dos cadastros entregues pelo MTST há duas semanas. De acordo com a coordenadoria do movimento, havia cerca de 510 famílias cadastradas, no entanto, somente 130 foram aceitas pela Administração. A lista com nome e origem das pessoas é necessária para a Prefeitura realizar o levantamento socioeconômico das famílias e comprovar quem mora na cidade, outro critério exigido para participar do programa habitacional. De acordo com a Administração, as famílias que comprovarem vínculo com a cidade nos últimos dois anos seriam incluídas no programa municipal.
O coordenador do movimento, Guilherme Simões, afirmou que a Prefeitura não havia cumprido um acordo firmado no final de 2009 para alocar famílias hortolandenses que estavam no acampamento Zumbi dos Palmares, em Sumaré.
Em Hortolândia, segundo a assessoria de comunicação, já foram construídas e entregues 1.374 moradias a famílias removidas de áreas de risco ou que estavam em situação de vulnerabilidade. Outras 1.069 habitações estão em fase de obras ou licitação, com contratos assinados e garantia de entrega até o final de 2012. As ações somam um investimento de mais de R$ 35 milhões, além de R$ 60 milhões destinados à construção de unidades do "Minha Casa, Minha Vida". Há também projetos para construção de mais 2,3 mil moradias do programa estão em análise na Caixa Econômica Federal. A meta da Prefeitura é entregar cerca de cinco mil casas até o final do ano que vem.
Câmara aprova movimento e promete ajuda
Vereadores de Hortolândia estão apoiando as reivindicações por moradias feitas pelo MTST. George Burlandy (PR) é um dos que estão cobrando do Poder Executivo uma iniciativa que atenda aos pedidos do movimento. Na última sessão da Câmara, o vereador protocolou um projeto de lei, uma indicação, um requerimento e uma moção, todos pedindo a desapropriação da área para que seja criado um centro populacional que abrigue os manifestantes. No entanto, o projeto não foi votado, já que não caberia ao Legislativo decidir sobre a desapropriação.
"Ficou em consenso que mandaríamos para o Executivo como minuta de projeto de lei", explicou. "Comprometi-me com o movimento que faria dentro do Legislativo tudo o que fosse possível para poder ajudá-los, porque eu vi que o movimento é sério. A luta deles é séria e mais de 95% dos integrantes são de Hortolândia. São pessoas trabalhadoras e organizadas", comentou o vereador.
Os vereadores também aprovaram uma moção de apoio ao MTST, de autoria do presidente da Câmara, José Nazareno Gomes (PT). "Todo o Legislativo está aqui para apoiar os movimentos de luta por seus direitos. Nada mais do que justo as pessoas terem o direito pela moradia e estamos dispostos a fazer o possível para ajudar", comentou o presidente, na época.
Publicado em 23/10/2011, no jornal O Liberal
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