Perugini afirma que desconhece fraudes apontadas pelo MP
Em entrevista exclusiva ao LIBERAL, ontem, no Palácio das Águas, sede do Poder Executivo de Hortolândia, o prefeito Ângelo Augusto Perugini (PT) negou que haja qualquer irregularidade na licitação e no contrato firmado com a empresa O. O. Lima Empresa Limpadora. "Não existiu jamais nenhuma participação da Prefeitura em qualquer coisa ilícita fornecida pela O. O. Lima", garantiu.
Em fevereiro, o Ministério Público pediu à Justiça que o prefeito perca o cargo e tenha os direitos políticos suspensos de oito a dez anos. Perugini teria sido conivente com irregularidades cometidas na contratação e execução de serviços da limpadora. O MP encaminhou ao Poder Judiciário uma ação civil pública afirmando que as irregularidades teriam causado prejuízo de mais de R$ 2,9 milhões ao município e enriquecimento ilícito dos envolvidos. O processo está em andamento.
O promotor Marcelo Di Giácomo Araújo entendeu que os serviços executados por funcionários da O. O. Lima não recebiam por horas trabalhadas e sim com base em 220 horas, independente do encargo. Perugini alegou que outros órgãos públicos também praticam o mesmo tipo de pagamento e disse que recomendou à Secretaria de Finanças uma redução de custos com os serviços executados pela empresa. Em setembro de 2010, após o caso se tornar público, foi aplicada uma redução de 220 para 180 horas à empresa. O contrato com a empreiteira foi rompido em julho do ano passado.
A apuração da Promotoria baseou-se em interceptações telefônicas realizadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), mas Araújo afirmou, contudo, que não há citações de pagamentos diretos a Perugini e ao secretário de Obras, Marcelo Borges. "Há conversas entre pessoas do grupo que controla a empresa mencionando pagamento de valores a servidores de Hortolândia. Para mim, a soma destes fatores leva a crer que tanto o prefeito quanto o secretário foram coniventes com essa fraude", afirmou o promotor, em fevereiro.
"Nós jamais recebemos nada. Eu não sei quem são. Nunca vi. Nunca participo do processo licitatório. O MP investigou nosso contrato, a Câmara ficou um ano com a CEI (comissão de investigação) e ninguém teve nada para falar", rebateu o petista.
O Liberal, 03/05/2012
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