Grevistas exigem equiparação com Americana
Motoristas e cobradores da empresa de ônibus Viação Boa Vista fizeram
nova paralisação ontem em Hortolândia para exigir equiparação do piso
salarial com colegas de outras empresas que trabalham com o transporte
coletivo em Americana. A paralisação - a segunda em menos de 10 dias -
afetou cerca de 50 mil passageiros de Hortolândia, Monte Mor e Campinas.
Os ônibus voltaram a circular no início da noite, após uma reunião
entre representantes da empresa e do sindicato dos grevistas em que a
reivindicação foi atendida.
Pela manhã, os motoristas fizeram
uma aglomeração na porta da empresa para cobrar uma elevação de R$ 59
nos salários, em uma equiparação com o que é pago por empresas de
Americana. Ao final das negociações, ficou acertado que a remuneração
passará de R$ 1,4 mil para R$ 1,459. Também foi acordado um aumento no
salário dos cobradores, que passou de R$ 832 para R$ 875. Durante
a paralisação, um dos funcionários, que pediu para não ser
identificado, criticou a situação. "Tem o ano inteiro para acertar e
discutir os valores dos salários. Por que esperar chegar até isso?",
questionou.
O secretário-geral do sindicato, Nadir Migliorini,
explicou que o aumento beneficia todos os empregados que trabalham na
área de transportes da empresa, localizada no Jardim Amanda. "São cerca
de 800 funcionários entre motoristas, mecânicos, faxineiras e outros.
Somente o pessoal de administração não entrou", disse. "Tentamos
conversar com a empresa e chegar a um acordo, para não ter esse impasse.
Mas não houve acordo até chegar a esta paralisação", frisou.
A
EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano) informou que 29 linhas
deixaram de circular durante a paralisação. Com isso, foi posto em
prática um esquema emergencial, que disponibilizou 50 microônibus do
sistema Orca (Operador Regional de Coletivo Autônomo) nas ruas, para
atender passageiros. A empregada doméstica Silvana Cristine da Silva, de
28 anos, foi uma das afetadas. "Até dá pra entender a situação deles,
só que a gente também é prejudicada. Poderia ser uma paralisação melhor
planejada", criticou.
No dia nove deste mês, 360 motoristas e
cobradores fizeram uma paralisação pedindo a saída de dois supervisores
de transporte, acusados de maltratar os funcionários e incentivar a
prática de cobranças ilegais de passagem. Um dia antes, a empresa havia
flagrado dois cobradores fraudando o sistema de cobrança. A paralisação
durou um dia.
O Liberal, 18/05/2012
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