quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Em Hortolândia, réu do mensalão receberá título

O presidente da Câmara dos Vereadores de Hortolândia, José Nazareno Gomes (PT), é autor do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que concede o título de Cidadão Hortolandense ao deputado federal João Paulo Cunha (PT), um dos réus do caso do mensalão. De acordo com Gomes, o parlamentar tem contribuído para o crescimento da cidade e cita a participação de Cunha nos projetos da instalação da Escola Técnica Federal, da implantação da UPAS (Unidade de Pronto Atendimento de Saúde), da Praça Poderosa, entre outros. O PDL 13/2011 deve ser votado amanhã, na sessão da Câmara Municipal.

Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República, ele teria enviado a esposa Márcia Regina Cunha ao Banco Rural para receber R$ 50 mil do esquema operado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados e, atualmente, comanda a Comissão de Constituição e Justiça, principal comissão temática da Câmara Estadual. Ele nega a existência das denúncias. "Falar que houve mensalão é uma injustiça com o PT e com as pessoas envolvidas", afirmou, em um programa de TV no ano passado.

De acordo com Gomes, muitas verbas repassadas a Hortolândia foram graças ao deputado, que teria um grande vínculo com a cidade. Para o presidente do Legislativo, o fato de Cunha ser um dos réus no STF não influencia na concessão do título. "O João não foi condenado por nada até hoje e nós esperamos que ele seja julgado, inclusive, para provar a inocência dele", afirmou.

Escândalo

Mensalão foi o nome dado ao principal escândalo político que atingiu o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. Consistia num esquema de pagamento de propinas a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo. Na época, o escândalo resultou na queda dos Ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação). Em 2007, o STF recebeu praticamente todas as denúncias oferecidas pela Procuradoria. Está previsto para maio o início do julgamento dos 40 réus, que deve durar de três a quatro semanas.

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