Recentemente, o professor Artur Vasconcellos Araújo, da PUC-Campinas, disse-me que as redes sociais se transformaram em ágoras modernas, uma remissão aos espaços de debate da Grécia dos tempos antigos, onde cidadãos se reuniam para conviver e discutir questões sociais coletivas. Ainda segundo o professor, a discussão levada aos meios virtuais de socialização (leiam-se Facebook e Twitter) se trata da acomodação a uma maneira de viver característica dos tempos atuais. A tela do computador, por mais fina que seja, é um escudo que protege o internauta e o incentiva a expressar diretamente aos governos o descontentamento com a falta de vagas em creche, o tamanho do buraco em frente à garagem, o reajustes no salário dos vereadores e outros desalinhos do cotidiano.
Acredito se tratar de uma comparação muito bem feita e de uma inovação fascinante na comunicação. A comodidade e a facilidade propiciada por esses novos meios são fatores marcantes no despertar de tal engajamento. As redes se tornam, a cada dia e com mais peso, canais oficiais de diálogo entre poder público e cidadão.
Entre um clique e outro, então, é extremamente fácil de percebera proliferação de movimentos e manifestações que surgem pelas redes. É mais fácil ainda ver a fraqueza intelectual que lhes acompanham. A democracia da internet permite a todos dizer muito, mas quase sempre, falas vazias.
Uma insurgência eficiente contra o poder público tem de se basear em apontamentos sólidos. Trata-se de organização, liderança e inteligência, algo que não se vê na maioria das manifestações originárias das redes sociais e que acabam se concretizando nas ruas ou palanques políticos. Não basta a criação de um evento, uma descrição miúda sobre o que se trata, acusações e defesas infundadas, carência de argumentação em documentos, abaixo-assinados, petições, a publicação e a confirmação dos “convidados” ao protesto. É uma perda de tempo e um entrave às atividades públicas.
Como exemplo, cito a fracassada tentativa de convencer vereadores a instaurarem uma comissão processante em Sumaré. Tentativa derrubadapor uma fundamentação muito mais sólida (e não verdadeira ou falsa) e preparada, apresentada pelo parlamentar líder da base aliada ao governo. Infelizmente, derrubada, e não pelo partidarismo, mas sim pela análise necessária a uma conduta do prefeitoinvestigada oficialmente.Portanto, se você, leitor, pretende liderar uma mobilização através das redes sociais, faça, mas a faça muito bem, e não como mero alvoroço.
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