terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sempre não é todo dia

Domingo, 31 de outubro de 2010

Quisera o destino, talvez por brilho (e quem havia de dizer ou quem havia de contrariá-lo), que no início fosse uma paixão de bar, nascida num momento ébrio e espontâneo. Embora lhe dissesse que o tempo passaria rápido, a garota não se conformava com a distância que os separavam. Por descuido ou displicência, deixara que o garoto lhe tomasse o coração, numa paixão arrebatadora, nunca antes experimentada. Suas amarguras e a desilusão, típicas de sua adolescência, se dissipavam ao ouvir as mesmas palavras que ansiava por dizê-las: eu te amo.

Nas noites de um inverno tenso, no coração do garoto se opunham a distância real, física, e a distância sentimental, mas esta era quem lhe trazia conforto. Tentava crer que não havia segredo nenhum e que era fácil manter um coração ligado ao outro. Mesmo assim, sofria. Como cantava Vinicius, “o amor só é bom se doer”. Pois este que vivia, pensava o garoto, devia ser estupendo, acachapante.

Gostavam de passar momentos ao léu quando se encontravam. Juntos, contavam estrelas e cantarolavam “Bandolins”. Nas tardes quentes da cidade dela, o menino se punha ao seu lado, deitado, e encarava-a como se fosse uma escultura, uma beleza comparável à lua e flor. Percorrendo as curvas de seu corpo, tocando-lhe carinhosamente a pele das maçãs do rosto, a delicadeza de uma fruta orvalhada, sentia os mesmos arrepios que nela provocava. O único som que se ouvia no quarto escurecido era a voz de Oswaldo Montenegro dedilhando melancolicamente “Rio Descoberto”. No vão que separava a face de um e de outro era possível perceber os ruídos de uma respiração calma e ritmada. “Farei de tudo para amá-la e para que me ame”, confessava. “Digo-te o mesmo. Se puder, sem medo. E, enquanto puder, para sempre”.

Entre essas e outras vezes que viajava ao seu encontro, o menino acordava durante a noite e escrevia-lhe um poema, geralmente, sobre a tristeza do amor tão distante ou sobre as travessuras que faziam nos dias de férias. Em tempo, a menina lhe dedicava modernas declarações virtuais. Contavam os dias, as semanas e agora tinham de esperar por meses para matarem a saudade. Desta vez, esperam pelo tempo das águas, um escaldante dezembro de verão. O mês promete.


domingo, 18 de dezembro de 2011

Lembranças de um bairro barbarense

O Cidade Nova, em Santa Bárbara d’Oeste, é um bairro de classe média. Descendo ou subindo perpendicularmente as ruas que cortam a principal, a do Linho, você encontrará tanto casas geminadas quanto casas de terreno inteiro, de 250 metros quadrados. Elas são simples. Muitos lares já contam com portões eletrônicos, mas os gradis ainda predominam. É comum uma pessoa estar dentro de casa e, ao ouvir o rangido de algum portão, dizer: fulano acabou de chegar.

Na rua onde vivi meus primeiros dezoito anos de vida, a Belo Horizonte, no número 926, a rotina era pacata durante os dias de semana. Pela manhã, as crianças que ainda não tinham idade escolar brincavam nas calçadas com suas bolas, motocas, patinetes e bonecos, sempre observadas atentamente pelas mães, que aproveitavam o momento para falar sobre o último capítulo da novela, dividir uma nova receita ou especular sobre aquela vizinha recém-chegada que ainda não se entrosara. Quando o relógio marcava meio-dia, o sol se punha a rachar a cabeça dos meninos e meninas que voltavam dos colégios estaduais do bairro. No verão, a essa hora, o asfalto fervia e na rua as pessoas só se encontravam debaixo da copa das árvores.

Somente no final da tarde, quando os jovens do período vespertino retornavam das escolas, a rua voltava a ficar agitada. Antes de pôr as tarefas em dia, os garotos jogavam bola no meio do asfalto, com pedras de calçada servindo-lhes de trave e as guias como linha-lateral, e as meninas pulavam amarelinha ou jogavam vôlei com bolas de dez reais compradas no mercado ou em alguma farmácia. E novamente, as donas de casa saíam a papear umas com as outras, mas, agora, na companhia dos maridos, que já chegaram da jornada do trabalho e colocaram as cadeiras de cerdas de plástico à beira do portão.

Quando chegava o sábado era comum a rua ficar cheia por todo o dia. No entanto, o fim de semana trazia uma forma de animação que irritava a muitos vizinhos da Belo Horizonte. Sempre havia algum jovem que tratava de lavar o carro com o som no máximo. E quem dera os gostos musicais fossem degustáveis. Não, não eram. A vizinhança toda era obrigada a ouvir as letras de funks depreciativos ou dos raps criminosos. Vez ou outra, rolavam discussões entre o dono do som e algum vizinho que trabalhava em turnos e precisava dormir em horários alternativos.

Os domingos eram os melhores dias. Após o almoço, rodas de mulheres conversando na sombra das árvores já surgiam. Bastava uma delas por a cadeira na frente de casa que outras já se aproximavam. Um encontro inconsciente, independente de combinados. Todas sabiam o que fazer depois de servir a macarronada e lavar a louça. Uma levava o crochê, outra servia um doce novo que havia preparado e sempre uma delas se achegava dizendo que não podia ficar muito, pois os trabalhos domésticos se acumulavam. Esta era a que ficava até o fim do papo.

As rodas de conversa não eram uma exclusividade feminina. Mas para os homens o encontro tinha regra. Das quatro às seis horas da tarde, nenhum deles aparecia. O motivo era o futebol transmitido na TV. Claro que nem sempre o jogo era interessante ou o time não andava tão bem, e aí os encontros se antecipavam, mas geralmente o papo era embalado pelos resultados das partidas. “Que golaço do Paulo Nunes, hein?”. “Ficou 2 a 0 mesmo? Cochilei no finalzinho...”, diziam.

E assim, enquanto os homens papeavam sobre esporte e trabalho, sentados na beirada dos portões, as mulheres riam em suas cadeiras de área, e os moleques perdiam a ponta dos dedões no futebol do asfalto, findava-se mais uma semana no Cidade Nova. O final do domingo era anunciado por volta das sete e meia, quando os vizinhos iam para o banho ou para o jantar. Os garotos esbaforidos do futebol, vencidos pelos pais e pela noite que caía, praguejavam contra a escola do dia seguinte.

Hoje, morando uns quarteirões acima do Cidade Nova e da rua Belo Horizonte, vejo o quanto me foi prazeroso viver por lá, onde a rua era uma extensão do quintal de todas as casas. Eram poucos os que se escondiam dentro dos muros. Cerca elétrica era algo inexistente e que não se fazia necessário. Quando alguém planejava uma festa, tão importante quanto chamar os parentes era chamar os vizinhos, aqueles com quem havia um contato cotidiano e cujos laços de amizade beiravam o laço familiar.

A tendência, dizem especialistas, é cada vez mais pessoas encerradas no seu próprio mundo, vivendo de maneira individualista. É uma pena, porque quem viveu num lugar como eu sabe que ter de trancar o portão e atender ao interfone é uma baita tristeza. Cidade Nova, tenho saudade.

23% dos docentes da rede estadual estão afastados na RPT

Problemas de saúde mantêm 1,1 mil professores fora das salas de aula

A professora Maria* (nome fictício) deixou a sala de aula há cinco meses. Ela alega que não esperava que ser professora de uma escola da rede pública, em Santa Bárbara d'Oeste, pudesse ser tão difícil. "É complicado explicar o que me irrita mais. Se é a agitação dos alunos, o ambiente precário, o pó do giz ou a falta de sucesso na aprendizagem", conta. Os fatores citados, no entanto, desencadearam um problema muito bem definido. Maria tem depressão e faz parte de mais de 1,2 mil professores estaduais e municipais afastados por razões médicas na Região do Polo Têxtil.

Segundo números das secretarias estaduais de Educação e de Gestão Pública, a saúde debilitada é a causa do afastamento de 1.111 educadores dos colégios estaduais na região. O número nas cinco cidades ainda é baixo se comparado com o total de professores em licença para tratamento de saúde no Estado, 49.739. Regionalmente, porém, corresponde a 23% do quadro do magistério estadual da RPT.

A cidade de Sumaré, detentora do maior quadro de educadores estaduais, lidera as licenças no âmbito regional. Dados atuais da Gestão Pública apontam que 333 professores, de 1.453, estão afastados por motivos de saúde. Em seguida, figuram Santa Bárbara d'Oeste (265), Americana (263), Hortolândia (202) e Nova Odessa (48). A Secretaria de Educação informou que transtornos ansiosos, problemas de coluna, cordas vocais, depressão e ginecológicos estão entre as principais doenças motivadoras de licença dos docentes. A pasta não soube especificar qual seria a principal.

Em relação às escolas municipais, com exceção de Americana (que não respondeu à reportagem), o ranking de afastados também é encabeçado por Sumaré, com 66 professores de licença médica, mas a porcentagem é menor, 7,7%. No total, as quatro cidades somam 186 afastados no quadro composto por 2867 educadores.

Ainda no município sumareense, de acordo com o Sesmet (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), da Prefeitura, 80% dos afastamentos são devido à depressão. Em Hortolândia, a Administração citou a mesma doença, além de problemas ortopédicos e respiratórios como as principais causas de licenças.

CONSEQUÊNCIAS
Maria se sente envergonhada ao comentar o assunto e, por isso, pediu discrição à reportagem. Assim como ela, grande parte dos educadores sofre com problemas psicológicos, alguns mais, outros menos. Quando ainda estão em atuação, os sintomas são refletidos dentro das classes, com a incapacidade de atrair a atenção dos alunos e com o desestímulo de preparar e passar o conteúdo. O reflexo também pode acontecer de maneira inversa.

A psicóloga e mediadora em uma escola estadual de Americana, Ilma Boraschi, explica que o desempenho na sala de aula pode afetar a saúde e o lado emocional dos educadores. "O professor se frustra quando planeja uma aula e não consegue ministrá-la de uma maneira satisfatória. Parto da premissa de que, se trabalhamos com crianças e adolescentes, é porque gostamos. Nós temos um ideal mas, com o decorrer do tempo, esse ideal vai se frustrando", afirma.

A descrença no trabalho e as situações encontradas, de acordo com a psicóloga, geram um desgaste no professor. A conselheira e vice-coordenadora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Irenice Neri, cita ainda outros problemas. "A sobrecarga, o estresse do dia a dia e classes lotadas fazem com que o professor adoeça". Segundo ela, o sindicato realiza pesquisas sobre a saúde dos educadores e busca dar orientações sobre o assunto a quem necessita. Mesmo assim, ela não hesita em dizer que a situação "é grave".

Professor deve fazer reflexão

Para a coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, não há uma receita para preparar um professor para entrar nas salas de aula. Segundo ela, o que existe é um trabalho que as faculdades fazem a partir de seus currículos, sobre as didáticas, práticas e metodologias de ensino.

Além disso, ela ressalta o trabalho de reflexão sobre a profissão. "Hoje, mais do que uma parte prática, é preciso incentivar o professor a refletir sobre a própria prática, ou seja, por que ele é professor, o que ele faz na sala, qual a repercussão de suas ações", explica.

Baseada em pesquisas, a coordenadora afirma que os problemas de saúde que os docentes sofrem não surgem nos primeiros anos de magistério. "As pesquisas dizem que o adoecimento se dá a partir de 10, 12 anos. O professor não adoece quando chega à sala de aula, mas quando permanece nela".

Em São Paulo, a psicóloga Flávia Gonçalves Silva é autora de uma dissertação de mestrado cujo objetivo foi analisar o dia a dia profissional de quatro professoras da rede estadual em São Paulo e como o trabalho proporcionou-lhes prazer ou problemas de saúde. A publicação, disponível na íntegra na Biblioteca Virtual da PUC-São Paulo, aborda as dificuldades e como, apesar dos percalços, as professoras continuam a exercer o trabalho no magistério.

"A investigação revelou que as condições inadequadas e alienadoras encontradas pelos professores para executar sua atividade estavam ocasionando adoecimentos relacionados, principalmente, com as emoções e sentimentos desses profissionais (estresse, labirintite, depressão) gerando também outras doenças, como foi o caso de dois professores", diz um trecho do trabalho. De acordo com o trabalho, a escola pública brasileira não vem conseguindo ensinar os alunos a "aprender a aprender".

Atividades recreativas amenizam problemas

Nas cidades da RPT, alguns projetos municipais tentam combater o afastamento de professores motivado por problemas de saúde. A Secretaria de Educação e Saúde Ocupacional de Hortolândia realiza uma série de ações de acolhimento ao professor. Neste ano, uma assistente social foi contratada para cuidar especificamente dos profissionais da educação.

Foram dadas orientações aos gestores para acolher os professores e ficarem atentos aos problemas psicológicos e físicos. Para o ano que vem, a Prefeitura pretende implantar a Casa do Educador, onde o servidor terá massagem, psicólogo, assistente social, dança, ginástica e outras atividades.

Segundo o Sesmet, em Sumaré há uma psicóloga que avalia e acompanha os casos crônicos. Existe também, desde junho, um trabalho em andamento com levantamento estatístico detalhado sobre causas dos afastamentos de professores. O objetivo é fazer um estudo e combater o problema, detectando eventuais abusos e tratando casos que houver necessidade. O estudo será concluído no primeiro semestre de 2012 e apresentado às secretarias.

Governo de SP investe para reduzir licenças

O Governo do Estado criou o programa SP Educação com Saúde no início deste ano, com o objetivo de oferecer não só ações preventivas, mas também suporte para funcionários que apresentem problemas de saúde. Nesses casos, eles serão encaminhados para tratamento de acordo com a especialidade médica. Com o programa, espera-se reduzir a incidência de problemas como estresse ocupacional, doenças osteomusculares, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, hipertensão, diabetes, transtornos mentais e tabagismo.

O programa recebeu R$ 27 milhões em investimentos para reduzir faltas e licenças médicas. Nesta fase inicial, o projeto está em andamento em 13 diretorias de ensino e 1.057 escolas estaduais da capital, beneficiando 69 mil servidores. As unidades participantes do projeto-piloto realizado entre 2007 e 2008 apresentaram redução significativa no número de faltas e licenças médicas solicitadas por professores. Na Escola Estadual Lasar Segall, na Vila Mariana, em São Paulo, por exemplo, a diminuição chegou a 77%.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Professores e voluntários presenteiam alunos em escola

A iniciativa faz parte do projeto "Cartas de Papai Noel", idealizado pelos próprios funcionários e já está na terceira edição

Professores, coordenadores e voluntários da Escola Estadual do Parque Odimar, em Hortolândia, presentearam nesta sexta-feira (9) cerca de 140 alunos da primeira à quinta série do ensino fundamental.

A iniciativa faz parte do projeto "Cartas de Papai Noel", idealizado pelos próprios funcionários e já está na terceira edição. Há três anos, a escola incentiva os alunos a escreverem cartas para o Papai Noel, para que eles peçam dois presentes, um mais caro e outro mais simples.

As cartas são revisadas pelos professores, reescritas pelos alunos e encaminhadas a amigos dos próprios funcionários, que se voluntariam para doar os presentes.

Segundo a coordenadora da escola, Juelma Batista, todas as crianças são atendidas, geralmente, com o presente mais caro. "É muito emocionante. As crianças ficam contentes porque quase sempre ganham a primeira opção", explica.

Na lista das cartinhas, os presentes variam desde skates até bonecas e aparelhos eletrônicos. Juelma conta que no ano passado, o pai de um aluno veio agradecer a escola pelo filho ter ganhado um par de patins.

"São presentes que muitas vezes os pais não podem dar".

Segundo ela, ontem as crianças ficaram eufóricas quando viram os embrulhos guardados. A coordenadora confessa que também fica emocionada e na expectativa para o dia da distribuição.

A mesma escola participa também de outra iniciativa que envolve a produção de cartas.

O projeto "Fazendo Novos Amigos", idealizado pela Escola Estadual Professor Vito Carmine Cerbasi, de Sumaré, incentiva a troca de cartas entre alunos de duas escolas. A escola do Parque Odimar participou da edição deste ano e, no final, os estudantes se encontraram nas duas cidades.

O Liberal, 09/12/2011

Entrega de medicamentos é inadequada

Para diretor do CRF, todas as unidades de saúde da cidade estão em desacordo com a entidade

Nos PSFs (Posto de Saúde da Família) dos bairros Parque Emília e Virgínio Basso, em Sumaré, a entrega de medicamentos é feita sem a supervisão de farmacêuticos ou auxiliares de farmácia. A situação é reprovada pelo CRF (Conselho Regional de Farmácia), que faz um alerta ainda maior. De acordo com o diretor regional do CRF de Campinas, Leonel Francisco de Almeida Leite, todas as unidades de saúde da cidade estão inadequadas perante a entidade. "É uma prática totalmente condenada pelo Conselho. A população tem o direito de ser assistida pelo farmacêutico no ato da dispensação (entrega) dos medicamentos, para que ela faça uso correto da medicação", criticou o diretor.

A Secretaria de Saúde de Sumaré nega a situação. Por meio de nota, a pasta garantiu que em todas as unidades de saúde a entrega dos medicamentos é feita por profissionais de farmácia, como prevê a legislação. Num dos postos, pesquisados pela reportagem, o PSF Parque Emília, a funcionária foi enfática ao responder quem era responsável pelo serviço. "Aqui, são os auxiliares de técnicos de enfermagem. Nós não temos uma auxiliar de farmácia nem farmacêutico".

O diretor explicou que o Conselho faz fiscalizações nos postos de saúde, mas está de "mãos atadas" devido a uma brecha na legislação. A Lei nº 5991/73, que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, possui um artigo que desobriga a assistência de farmacêuticos em unidades de saúde. A legislação é contestada pelo CRF, já que serve de amparo judicial às Prefeituras. Leite ainda apontou outros problemas identificados pela fiscalização do Conselho, como armazenamento inadequado de medicamentos e espaço físico insuficiente.

Em Americana, a troca de medicamentos por parte de uma técnica em enfermagem é suspeita de causar a morte de uma paciente num posto de saúde da cidade, em agosto deste ano. A Administração é amparada por uma liminar concedida pela justiça, que garante a não contratação de profissionais graduados em farmácia para a entrega de medicamentos.

Cortes
Nos postos de saúde de Sumaré também houve cortes de funcionários. No Parque Emília, uma técnica de enfermagem foi dispensada do serviço. Agora, somente duas técnicas vão atender a população. A situação se repete na unidade do Virgínio Basso. A Prefeitura informou que há um concurso público em andamento e que a meta é contratar novos servidores para atender a uma determinação do Ministério Público do Trabalho.

Ontem, a Câmara dos Vereadores de Sumaré aprovou, em segundo turno, o orçamento municipal de 2012. A previsão é de que R$ 102,4 milhões (17,7% do orçamento) sejam investidos na saúde.

O Liberal, 07/12/2011

Moradores vão ao MP contra 'lixão' no Portal Bordon

Terreno pertence à Prefeitura de Sumaré e Administração Regional promete "cerca" para o local

"Um bairro planejado". É o que está inscrito no muro de entrada do Residencial Portal Bordon, em Sumaré. A frase, no entanto, destoa do cenário que pode ser visto ao percorrer alguns quarteirões do bairro. Num terreno da Avenida Carlos Basso, pertencente à Prefeitura, montes de lixo e entulho estão formados. O cheiro desagradável do local é uma das reclamações que os moradores dos arredores têm feito à Administração . As críticas, inclusive, motivaram uma representação junto ao Ministério Público. Organizado pela Associação dos Moradores do bairro, o documento cita o "descaso da Prefeitura no que se refere à limpeza de terrenos baldios" e a utilização dos locais "como lixões" pela própria municipalidade.

A reportagem do LIBERAL foi até o local e conversou com moradores, que preferiram não se identificar por temer represálias. Uma comerciante que trabalha em frente ao terreno explicou que, diariamente, veículos da Prefeitura de Sumaré carregam e descarregam lixo de outros bairros. Segundo ela, há todo tipo de material despejado: móveis, animais mortos, galhos, lixo doméstico e até hospitalar. Por vezes, há também o aterramento do material. A comerciante afirma que já fez reclamações à Ouvidoria Municipal. "Onde já se viu um lixão dentro de um bairro, de uma área residencial", comenta. Questionada, a Prefeitura não confirmou a acusação de que despeja lixo de outros bairros no local.

Em outra rua próxima ao terreno, um autônomo conta que já matou escorpiões e outros animais peçonhentos dentro da própria residência. A casa em que mora foi construída para venda, no entanto, ele acha difícil que atraia compradores devido à "paisagem" formada pelos montes de entulhos.

Documentos

No documento elaborado pela Associação dos Moradores foram anexadas fotos de um carro da Administração no local e de um veículo do Corpo de Bombeiros controlando uma queimada. "Diante do exposto, nós, moradores do Residencial Portal Bordon de Sumaré, já não suportamos mais o 'lixão' que a Prefeitura está fazendo em um terreno baldio localizado entre a Rua Adalto Pinge, Rua das Crianças e a Avenida Carlos Basso, local onde estão sendo jogados entulhos, restos de móveis, animais mortos e aterrando entulho", diz o texto encaminhado ao MP.

A Administração Regional do Jardim Picerno, bairro ao lado do Residencial, informou por meio de nota que o local será cercado para evitar que terceiros joguem lixo indiscriminadamente. "Em diversas oportunidades, a Regional realizou a limpeza e, em seguida, o local recebia novamente mais lixo", diz a nota. No terreno, algumas estacas foram fincadas para a construção de uma cerca. Segundo moradores, a construção está parada há algum tempo.

O Liberal, 05/12/2011

Redes viram espaço de debate entre políticos da região

Na Região do Polo Têxtil, os políticos de Americana são os que lideram as interações utilizando Twitter e Facebook

Na RPT (Região do Polo Têxtil), pouco mais da metade dos integrantes do Legislativo possui perfis nas redes. Nos sites de busca é possível encontrar pelo menos 32 dos 60 vereadores da região. Alguns figuram apenas no Twitter, outros só no Facebook.

Os vereadores de Americana são os mais conectados. Somente a vereadora Leonora do Postinho (PPS) ainda hesita em participar da rede. A reportagem tentou descobrir a razão, mas não foi atendida pela parlamentar. Entre os prefeitos, o de Americana, Diego De Nadai (PSDB) é o mais ativo de uma lista de conectados que só traz mais dois, Manoel Samartin (PDT), de Nova Odessa, e José Antonio Bacchim (PT), de Sumaré.

O representante hortolandense, Ângelo Perugini (PT) e o pedetista Mário Heins, de Santa Bárbara d'Oeste, estão off-line.

O vereador Celso Zoppi (PT), integrante da oposição americanense, avalia a utilização das redes tanto pelo lado negativo como positivo. Ele explica que pessoas de má-fé podem se apoderar dos recursos tecnológicos para denegrir a imagem de outras ou distorcer informações. No entanto, Zoppi afirma que muitas manifestações virtuais podem ajudar nas discussões políticas.

"Há uma interação grande entre pessoas, ligadas ou não à política, que tem propiciado um debate, haja vista a manifestação sobre o aumento dos salários dos vereadores da cidade", avaliou.

O petista se refere ao protesto que reuniu mais de duas mil pessoas no Facebook. O evento criado na rede social, semana passada, convidou a população de Americana a uma passeata contra o aumento de 60% no salário dos parlamentares.

No sábado, dia 26, centenas levaram o protesto virtual às ruas do município, com faixas, bandeiras, narizes de palhaço e palavras de ordem. Um dos organizadores, o analista Marcelo Tuim, citou a grande indignação virtual como um dos motivos da concretização da passeata.

Nas duas redes sociais, o conteúdo das postagens varia pouco. As ações políticas são as mais publicadas e comentadas e, não raro, despertam a ira de alguns usuários, sejam eles políticos ou não. Como exemplo, o vereador Luiz Antonio Crivelari (PSD) se irritou quando um morador da cidade ironizou com um "bom dia aos parlamentares que aprovaram o projeto de aumento do salário".

A postagem remeteu ao perfil de Crivelari, que retrucou com uma frase infeliz: "ô, zé mané, dá um tempo". Em poucos minutos, choveram comentários prós e contras.

Conectados

Em setembro, uma pesquisa feita pelo IBOPE Nielsen Online concluiu que o Brasil possui um mercado com elevada utilização de redes sociais. Os dados mostraram que 87% das pessoas com acesso à internet estão nas redes sociais.

O número corresponde a 67,6 milhões de pessoas. Segundo a pesquisa, em agosto, cada usuário brasileiro de redes sociais conectou-se a esses sites por um tempo médio de 7 horas e 14 minutos.

A pesquisa mostrou ainda que o acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses ou outros locais) chegou a 77,8 milhões de pessoas, entre os meses de abril e junho deste ano. O número é 20% maior do que o do mesmo período em 2009.

O Liberal, 03/12/2011

Tribunal barra compra de tablets a professores de Hortolândia

Órgão apontou que houve direcionamento a uma empresa e suspendeu o procedimento

O TCE (Tribunal de Contas do Estado) concluiu que o edital para a compra de tablets destinados a professores das escolas municipais de Hortolândia foi direcionado a uma empresa e suspendeu o processo licitatório. O órgão acatou uma representação feita por duas empresas participantes do processo que apontava direcionamento do edital para uma fabricante do aparelho. Segundo os representantes, a descrição do objeto era uma cópia fiel das especificações técnicas do equipamento fabricado pela empresa citada.

A Assessoria Técnica do órgão considerou que "as impugnações formuladas pelas representantes se revelam procedentes quanto ao memorial descritivo do produto, pois da maneira como está redigido se direciona totalmente a um único fabricante". A compra dos tablets foi anunciada no mês passado, após a aprovação de um projeto de lei que destinava um crédito adicional de R$ 1,8 milhão à Secretaria de Educação.

Em resposta ao Tribunal, a Administração do prefeito Ângelo Perugini (PT) afirmou que "em nenhum momento foi intenção da municipalidade direcionar o andamento do certame". No entanto, a Prefeitura afirma que entende a alteração do memorial descritivo visando tornar clara a intenção de adquirir os aparelhos com qualidade e de acordo com a necessidade, sem restringir a competitividade entre os licitantes. O direcionamento e a restrição da competitividade são ilegais de acordo com a Lei de Licitações.

O Tribunal também discordou da modalidade escolhida para a compra, o sistema de registro de preços. A escolha, segundo a Prefeitura, se amparou na impossibilidade de definir a quantidade exata de equipamentos que deveriam ser comprados, pois não havia certeza quanto ao número de professores que os receberiam. "A equipe deverá ser ampliada para o início do ano de 2012 dependendo do número de matrículas realizadas", informou a Administração, que estimou a compra de 2 mil tablets.

As empresas também apontaram uma outra peculiaridade nas especificações do edital. A Prefeitura pedia a impressão do brasão e do nome da Administração no aparelho, com o objetivo de aumentar o fator segurança dos equipamentos. O órgão, no entanto, rechaçou o apontamento. Caso haja um novo processo de licitação, o TCE decidiu que a Prefeitura terá que revisar as especificidades técnicas do produto, no entanto, a Administração afirmou que não deve reabrir o edital.

O Liberal, 30/11/2011

Motolância completa 1 ano que está parada em Sumaré

Veículo serviria para agilizar atendimentos do Samu, mas faltou curso de direção defensiva

Uma motolância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que deveria ser utilizada em emergências, está parada há quase um ano, já que nenhum integrante do órgão passou por treinamento de direção defensiva. De acordo com a regulamentação do Ministério da Saúde, para que ela seja usada, os motoristas devem passar por um curso dado pela Polícia Rodoviária Federal ou por empresas especializadas. As motolâncias ajudam no atendimento prévio de pacientes, até a chegada da ambulância básica ou da UTI Móvel (Unidade de Terapia Intensiva).

O regulamento do Ministério da Saúde sobre o "Programa Mínimo Para Implantação das Motolâncias" informa que os condutores devem ter experiência mínima de um ano em pilotagem, de dois anos em atendimento de urgência, além do curso de pilotagem defensiva. Este treinamento deve ser de, no mínimo, 50 horas/aula, com atividade teórica e prática, e feito por cinco dias seguidos nas dependências da PRF nos núcleos regionais. Pode ser feito também através de empresas especializadas.

No dia 16 dezembro de 2010, quatro ambulâncias e uma motocicleta foram entregues pelo prefeito José Antonio Bacchim (PT) ao Samu. Na época, a coordenadora do Serviço, Adriana Pacheco, afirmou que a Secretaria de Saúde aguardava um agendamento, por parte da Polícia Rodoviária Federal. A previsão era de que o serviço começasse a funcionar no início deste ano.

Segundo funcionários do Samu, as ambulâncias realizam, em média, oito atendimentos por dia. A importância das motos, de acordo com eles, se dá devido à rapidez com que o veículo pode chegar aos locais de ocorrências e antecipar procedimentos emergenciais. A reportagem entrou em contato com o Departamento de Polícia Rodoviária Federal, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Hortolândia
Em Hortolândia, onde se localiza a Central Regional de Atendimentos do Samu, os condutores das duas motolâncias da cidade se qualificaram através de um curso dado por uma empresa especializada. O treinamento foi feito quatro meses antes de o município receber os veículos do Ministério da Saúde. Os técnicos do Samu participaram de um treinamento de direção ofensiva, onde receberam instruções de comportamento seguro no trânsito, frenagem em pista seca e molhada, além de pilotagem evasiva.

O Liberal, 29/11/2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Farmácia do CAPS sofre com o abandono em Sumaré

Medicamentos antidepressivos mais procurados estão em falta; imóvel possui fiações expostas e telhas dependuradas

Num local onde a boa conservação, a limpeza e a organização deveriam ser premissas básicas, mantidas pelo Poder Público, nada disso acontece. A farmácia do CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) de Sumaré, localizada na região central, funciona num imóvel com telhas dependuradas e paredes emboloradas, com infiltrações e fiações expostas. Além disso, medicamentos são armazenados de maneira indevida e alguns faltam à população.

Na fachada do local, na rua José Maria Miranda, já se notam os primeiros sinais de má conservação. As paredes externas estão pichadas há meses.

Logo no hall de entrada, o bolor já tomou conta do teto, com a pintura descascando e fiações de lâmpadas penduradas. Mais à frente, no balcão de atendimento da farmácia, é possível ver um pedaço do céu por uma abertura no telhado, onde um pedaço de telha está pendurado, prestes a desabar.

Os antidepressivos conhecidos como sertralina e amitriptilina, medicamentos com alta demanda, estão em falta na farmácia. Por dia, são distribuídos cerca de três mil comprimidos do primeiro e quatro mil do segundo.

Na sexta-feira (18) à tarde, a reportagem do jornal O LIBERAL procurou os medicamentos na Farmácia Popular do centro. Não havia sertralina. Numa farmácia de manipulação da cidade, a cartela com 20 comprimidos é vendida entre R$ 47 e R$ 62.

Entre os funcionários, ninguém prefere comentar. Um deles, no entanto, afirma que a farmácia funciona há mais de três anos no local e recebe muitas reclamações quanto ao serviço. À reportagem, ele disse que preferia não se identificar por temer represálias.

Outro lado

O secretário municipal de Saúde, Roberto Vensel, afirmou que a farmácia funciona no local temporariamente e deve se mudar para o prédio do Centro de Saúde II.

"O CAPS saiu de lá há alguns meses e atualmente está no bairro Chácara Bela Vista. A farmácia estava dependendo de uma reforma para tirarmos ela também". Sobre o armazenamento inadequado de medicamentos, apontados por funcionários da saúde, Vensel explicou que na sala onde são guardados, a equipe técnica da assistência farmacêutica garantiu que não há problema.

O CAPS do Centro começou operar em 2005 em Sumaré e atualmente realiza a reinserção social de mais de mil pessoas, com idade de 18 a 60 anos e portadoras de transtornos mentais.

Os serviços são prestados por uma equipe multidisciplinar formada por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros profissionais.

O Liberal, 19/11/2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Alckmin libera verba para obra atrasada em Sumaré

Pronto-Socorro: entrega da unidade do Jardim Macarenko estava inicialmente prevista para o ano de 2008

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) visitou, no final da tarde de ontem, as obras do Pronto-Socorro do Jardim Macarenko, em Sumaré. Ele anunciou o repasse de recursos para a finalização da unidade, que tinha entrega prevista para o ano de 2008.

A Secretaria Estadual de Saúde vai investir R$ 600 mil no término do PS e deve ajudar também na compra de equipamentos. Depois de ser adiada para 2010, a entrega agora é prometida até o final de 2012, quando termina o mandato do prefeito José Antonio Bacchim (PT). O secretário de Saúde de Sumaré, Roberto Vensel, confirmou que o Pronto Socorro Municipal, interditado após o temporal do dia 29 de outubro, será fechado.

Ao lado do governador, Bacchim afirmou que o PS do Jardim Macarenko não havia sido entregue por falta da garantia de ter os equipamentos necessários.

"Para construir uma unidade de saúde há a necessidade de equipar, e, às vezes, isto custa tanto quanto o valor da obra", explicou. O PS Municipal, destelhado pelo temporal que atingiu, foi qualificado como "sem condições de uso" pelo prefeito. O governador declarou também que o Estado deve ajudar na compra dos equipamentos para a unidade do Jardim Macarenko.

O secretário de Saúde, Roberto Vensel, classificou como "positiva" a ajuda do Estado. Ele também elogiou o prefeito devido à decisão de fechar o PS Municipal. "Foi uma decisão sábia do Bacchim, em não retomar os serviços do pronto-socorro antigo e jogar todos os esforços para inaugurar o PS do Jardim Macarenko", comentou.

Alckmin assinou ainda o repasse de R$ 500 mil para obras anti-enchente, como a construção de muros de contenção e galerias pluviais no Jardim Novo Paraná; e R$ 200 mil para a construção de travessias e aduelas pré-moldadas na região do bairro Altos de Sumaré. Os recursos são provenientes da Secretaria de Estado da Casa Militar.

Os estragos causados pelo temporal no dia 29 de outubro causaram um prejuízo de mais de R$ 12,2 milhões de reais à cidade de Sumaré, de acordo com o relatório de Avaliação de Danos e Riscos (Avadan). O telhado do Pronto-Socorro Municipal, na região central da cidade, desabou e os pacientes tiveram que ser transferidos para o Hospital Estadual Dr. Leandro Franceschini. Vacinas e medicamentos foram estragados pelas chuvas.

Etec

Durante a rápida passagem pela cidade, o governador anunciou a construção de uma escola técnica (ETEC) em Sumaré. Ele disse que, como o município concentra muitas indústrias e recebe muitos investimentos, a qualificação da mão de obra é importante para responder à demanda da cidade.

O Liberal, 12/11/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Alunos trocam cartas em projeto de Sumaré e Hortolândia

Alunos de duas escolas trocam correspondências, se encontram e, em muitos casos, acabam tornando-se amigos

Na Escola Estadual Professor Vito Carmine Cerbasi, em Sumaré, são poucos os alunos que já receberam uma carta. Um projeto idealizado pela escola, porém, faz com que estudantes da 6ª série se correspondam com outros da Escola Estadual Parque Odimar, de Hortolândia, e sintam a ansiedade de esperar pela resposta dos amigos da outra cidade. Depois de trocar as correspondências, eles se encontram, alguns acabam se tornando amigos e até trocam mensagens pela Internet.

O projeto Fazendo Novos Amigos existe desde 2007 e foi criado pela coordenadora Elizabete Zulian, da escola Vitor Carmine. Ela explica que a construção das cartas é acompanhada por professores de português, que corrigem os textos de 120 crianças. O tema principal é a amizade. "Os alunos perguntam ao outro o que fazem fora do horário de aula, como são, que tipo de música gostam, se têm namorada", explica a coordenadora. Entre os objetivos estão incentivar os alunos a conhecer diferentes realidades e despertar o interesse pela leitura e pela escrita.

A comunicação iniciada de forma primária acaba, inevitavelmente, na Internet. "Uma pergunta comum nas cartas é se o colega tem MSN, Orkut e e-mail", conta a professora de português, Rosemeire Estevam, da escola Vito Carmine. O aluno Luis Eduardo Santana, de 12 anos, é um dos exemplos. "Perguntei na carta como ela era e se tinha MSN. Ela disse que sim, me passou e hoje a gente conversa quase todos os dias", conta ele, em meio aos amigos, tentando disfarçar a timidez.

O sucesso do projeto é explicado por Elizabete. Segundo ela, os alunos da primeira edição, de 2007, quando se corresponderam e se encontraram com uma escola do sul de Minas Gerais, ainda se interessam pelas cartas dos alunos mais novos. "Até hoje, nós entramos na sala de aula e eles comentam: 'Como foi o projeto? Vamos fazer de novo?'", conta. A coordenadora da escola Parque Odimar, Juelma Batista, aprovou o encontro. "Foi excelente. Nós estávamos preocupados com o comportamento dos alunos, mas foi tudo bem. Nossos alunos já perguntaram quando vão visitar a Vito Carmine", comemorou.

Publicado no jornal O Liberal, de Americana, em 26/10/2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Gente humilde

Artigo publicado no jornal O Liberal, de Americana, hoje, 03/11/11.

"Tem certos dias em que eu penso em minha gente", como quando, recentemente, visitei alguns bairros em Sumaré para produzir uma matéria sobre o medo das enchentes de final de ano e a falta de ações por parte das prefeituras. São bairros à beira do Ribeirão Quilombo, com infraestrutura precária e casas simplórias, construídas por gente humilde, com o pouco que tem, ou que tinham.

Por vezes, durante as entrevistas e conversas que fiz, fiquei paralisado, incapaz de fazer as perguntas que a profissão exige, pensando comigo mesmo o quanto aquelas pessoas sofrem. As casas com o forro baixo, o telhado precário, as paredes fazendo fundo com o rio e, ainda, numa delas, ironicamente, uma ferradura jaz pendurada, mostrando que não basta para trazer sorte a quem mora ali e tem de almoçar com o cheiro forte do lixo e do esgoto que invade as narinas de qualquer um. A situação é crítca, mas a recepção em uma das casas é calorosa, como se a reportagem fosse a salvadora de todos os males. "Vocês vieram na hora certa", comemora uma moradora do Jardim Basilicata.

As pessoas com quem me encontrei falavam da vida, reclamavam do descaso das prefeituras, contavam as angústias e o sofrimento constante de, hora ou outra, por conta de uma forte chuva, ter de recomeçar a viver. Pareceu-me banal a elas conviver com a perda dos objetos pessoais, mas pude perceber a tristeza e até as lágrimas quando comentam os estragos, os móveis perdidos e, principalmente, a morte de familiares ou amigos.

Sinceramente, em situações como as que vi, não acredito que elas vivam. Seria algo muito mais próximo à sobrevivência. São vidas que se esforçam para sonhar com um futuro melhor, que, infelizmente, passa pelas mãos de governos desinteressados ou incapazes de planejar soluções para os problemas sociais.

E, então, nos dias que seguem, surge uma matéria sobre maus tratos e descaso no atendimento a um idoso em um posto de saúde municipal, outra sobre investigações de fraudes em sorteio de moradias a pessoas que sobrevivem à beira do Quilombo, apuração de contratos superfaturados, gastos desnecessários, propinas e outras coisas. Tudo isso, repetidas vezes, é capaz de desanimar qualquer um a crer num futuro de igualdade social.

As aspas que abrem este texto também abrem uma canção composta por Chico Buarque e Vinicius de Moraes, homônima ao título desta postagem. Nada mais justo do que terminar com o final da composição. "E eu, que não creio, peço a Deus por minha gente. É gente humilde. Que vontade de chorar!".

Artigo publicado no jornal O Liberal, de Americana, hoje, 03/11/11.

Abaixo, a canção e a letra.



"Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Militantes do MTST deixam área ocupada em Hortolândia

Operação da Polícia Militar para reintegração foi realizada nesta segunda-feira (24) pela manhã no Jardim Minda

A Polícia Militar realizou ontem a reintegração de posse das terras na divisa entre os jardins São Jorge e Minda, onde mais de 500 famílias do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) estavam acampadas desde agosto. A operação começou por volta das 6h da manhã e pegou de surpresa os acampados. Alguns integrantes do movimento reclamaram de truculência dos policiais, mas a ação acabou sendo pacífica. A major do 48º Batalhão da Polícia Militar, Damicélia de Lima Kanno, coordenou a retirada das famílias e afirmou que os policiais estavam apenas cumprindo uma liminar expedida pela Justiça hortolandense e que não houve qualquer reação por parte dos ocupados.

No final da madrugada, cerca de 150 policiais chegaram à Rua Goiás, local do terreno de 71 mil metros quadrado ocupado pelas famílias do MTST. As famílias afirmaram que já sabiam que a reintegração poderia ocorrer a qualquer momento, mas que mesmo assim foram surpreendidas pela ação policial. Para o coordenador Zezito Alves da Silva, a ação poderia ter ocorrido de outra maneira.

"Nós já sabíamos da liminar, sabíamos que ia haver a reintegração. O que nós queríamos era um prazo, uma data, para que nós pudéssemos sair sem pressa, como está sendo agora", criticou. Outro coordenador, Guilherme Simões, também criticou a operação policial. "Não precisava que todas estas viaturas viessem até aqui para que nós saíssemos". Ainda de acordo com ele, grande parte das famílias que estavam acampadas não tem para onde ir.

A Prefeitura informou que equipes de assistência social estão de plantão na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) do Jardim Minda para atendimento e orientação às famílias do MTST. Em nota, ela também afirmou que mantém a postura de atender famílias que se enquadram nos critérios do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. "Todas as famílias que comprovarem vínculo de, pelo menos, dois anos, com a cidade (por meio de matrícula escolar, contrato de aluguel e outros documentos) serão incluídas no cadastro habitacional do município e beneficiadas com moradias populares", diz a nota. O advogado do MTST, Bruno de Oliveira Pregnolatto, afirmou que vai tentar uma nova negociação para que a liminar que autorizou a reintegração de posse seja suspensa.

domingo, 23 de outubro de 2011

Famílias temem novas perdas com proximidade do verão

Temporada de chuvas leva moradores a relembrar tragédias

As consequências dos temporais que caíram no final do ano passado e no começo deste ano ainda são sentidas por duas famílias do Jardim Basilicata. Os sentimentos são parecidos. Dor pela perda de familiares e inconformismo com a falta de ações da Administração.

A aproximação da temporada de chuvas aliada à lentidão do poder público na transferência das famílias que vivem às margens do Ribeirão Quilombo, em Sumaré, contribui significativamente para aumentar o clima de apreensão entre aqueles que já contabilizaram não só perdas humanas, mas também materiais.

Em março deste ano, a dona de casa Lidosângela Nascimento Leite, de 36 anos, perdeu o marido, Alexandre Quintino da Silva, de 40 anos, vítima de leptospirose contraída após a enchente do começo do mês.

O laudo médico da morte, feito no Hospital Estadual de Sumaré no dia 3 de março, aponta o contato com água de enchente e que há seis dias Silva já vinha apresentando febre e dor muscular. Dois filhos do casal estão em São Paulo, contando com apoio psicológico para superar a morte do pai, diz ela.

No dia em que a reportagem do LIBERAL passou pelo Jardim Basilicata, um dos bairros mais atingidos pelas enchentes, Lidosângela ajudava um amigo a finalizar a construção de um muro de cerca de 30 centímetros na fachada da casa, num pequeno terreno cujo fundo é o Ribeirão Quilombo.

A mureta tem um objetivo claro. "É pra não inundar quando a chuva vier", explica. Ela convidou a reportagem para entrar e de cômodo em cômodo foi mostrando as rachaduras, as marcas e os prejuízos causados pela enchente que matou o marido.

São danos reparáveis, possíveis de serem consertados com tempo e um pouco de dinheiro, seja ele da Prefeitura ou do próprio bolso, conta ela.

Danos bem diferentes do que a morte de Silva. Mãe de seis filhos, Lidosângela diz que já chamou a Defesa Civil e pediu ajuda à Prefeitura, no entanto, nada é resolvido. Desempregada, ela se sente impossibilitada de sair todos os dias para procurar emprego, pois teme que funcionários da Defesa vão até a casa e a encontre vazia para avaliar os danos.

"Em março, eles vieram, tiraram fotos e ficaram de fazer um laudo. Eu preciso do laudo, com as fotos, para levar à assistente social e à (Secretaria) Habitação tomar uma providência. Só que até agora não tenho resultado", lamentou.

Duas casas antes da de Lidosângela, a aposentada Magdalena Crepusculi dos Santos, de 76 anos, ainda chora quando se lembra do filho, Alexandre Crepusculi dos Santos, de 46 anos, outra vítima de leptospirose após uma enchente em janeiro do ano passado. Com a voz carregada de emoção, ela confessa: "É uma dor muito grande".

Assim como a vizinha, Magdalena se revolta ao comentar o trato da Administração quanto aos moradores do bairro e de outras áreas de risco. "No começo do ano, perdi tudo o que tinha e, após a chuva, tive que implorar para conseguir um colchão e um cobertor. Cada hora eles dizem uma coisa, que vai levar para um bairro, para outro, mas as casas nunca ficam prontas".

O relatório de avaliação de danos (Avadan) encaminhado pela Prefeitura ao Governo Federal, em janeiro, apontou prejuízos de R$ 10 milhões de reais após as chuvas que caíram no início do ano. Entre os dias 3 e 6 de janeiro, estragos foram causados em 37 bairros de Sumaré.

Houve alagamentos em 17 áreas, 179 pessoas ficaram desabrigadas e 3.928 desalojadas, num total de 6.250 famílias que foram afetadas de alguma forma pelas chuvas. Cinco casas foram destruídas e 750 ficaram danificadas, além de seis pontes que sofreram avarias em suas bases devido à erosão, nos bairros Matão, Jardim Dall'Orto, Jardim Manchester, Jardim Dulce, e Parque Jatobá.

Em março deste ano, o Ministério da Integração Nacional liberou R$ 30 milhões para 33 cidades paulistas que sofreram com as chuvas do começo do ano. Sumaré foi o município que recebeu a maior porcentagem, pouco mais de 10%, totalizando R$ 3,1 milhões.

No entanto, apenas R$ 1,8 milhão (60%) fora disponibilizado pelo governo. Os recursos federais foram investidos em 13 obras (listadas no quadro no final da página) que recuperaram pontes, ruas e contiveram erosões, mas não convenceram moradores de que o problema de enchentes seria sanado.

Famílias aguardam remoção

Uma das reclamações recorrentes entre as pessoas que vivem nas zonas de risco é a demora nas ações prometidas pela Prefeitura. A dona de casa Sandrelina Rodrigues Pereira afirmou estar na lista dos cadastrados para as novas construções do Residencial Portal Bordon II e "não vê a hora de sair do Jardim Alvorada". Em janeiro desse ano, a Prefeitura abriu licitação para construção de 135 moradias no Residencial Portal Bordon II. De acordo com o secretário de Habitação de Sumaré, Jesuel Pereira, as casas já estão em construção.

Vivendo às margens do Ribeirão Quilombo, Sandrelina conta que a situação é crítica durante os períodos de chuva. Ela reclama do cheiro forte de lixo acumulado na beirada do rio. "É um cheiro insuportável. É difícil até para almoçar. A gente fica enjoada e às vezes não consegue comer nada porque o cheiro fica impregnado em nossa casa". No lado de fora da casa, onde há, por ironia ou não, uma ferradura, uma marca que supera um metro registra a altura que a água chegou durante o último temporal.

Está em fase de estudos a construção de 220 novas moradias, com recursos municipais e estaduais, destinadas à remoção de moradores que vivem em áreas de vulnerabilidade social em Sumaré. Além disso, 2.087 moradias populares estão em construção, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, em cinco diferentes empreendimentos nos bairros: Jardim Santa Maria, Dall'Orto, Volobueff, Bom Retiro e Matão.

A Prefeitura informou que as famílias que residem em áreas sujeitas a inundações no Jardim São Domingos já foram removidas para 54 moradias no Jardim das Orquídeas, construídas pela Administração Municipal por meio do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH).

Segundo o secretário de Habitação, assim que as famílias foram removidas para as novas casas, as antigas moradias serão derrubadas, impedindo que outras pessoas venham a se abrigar em área de risco.

Sobre as ações de drenagens dos rios, a assessoria de imprensa afirmou que a macrodrenagem do Ribeirão Quilombo vem sendo discutida pelas cidades de Campinas, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e Americana, municípios integrantes da bacia do Quilombo.

Publicado em 23/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YLIX

Movimentos ocupam 100 mil m² na RPT

Sem-teto permanecem em áreas em Sumaré e Hortolândia; prefeituras tentam resolver problema













Foto (Marcelo Rocha): Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto ocupam área de 70 mil metros quadrados, no limite entre dois bairros de Hortolândia

Um levantamento feito pela reportagem do LIBERAL aponta que, atualmente, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupa 100 mil metros quadrados em terrenos da RPT (Região do Polo Têxtil). O número subiu nos últimos meses com a ocupação de uma área no Jardim Minda, em Hortolândia.

No limite entre os jardins Minda e São Jorge, é possível ver boa parte da cidade de Hortolândia e notar os prédios e as construções residenciais e comerciais, reflexos do crescimento econômico do município. Um grupo de pessoas enxerga esta paisagem todos os dias, mas não consegue crescer no ritmo hortolandense. Cerca de 300 famílias (os números são estimativas, já que não há um censo pontual) do MTST armaram ali suas barracas, feitas com madeira e pedaços de lona. Juntos, ocupam uma área de 70 mil metros quadrados e, vez ou outra, saem pelas ruas da cidade protestando contra a falta de um lugar para morar. A alguns quilômetros dali, em Sumaré, outras 300 famílias vivem, há quase três anos, numa área de 30 mil metros quadrados, no Jardim Denadai.

O professor de ciências políticas da PUC-Campinas, Leandro Galastri, explica que o potencial econômico da região e a especulação imobiliária muito presente acabam atraindo ocupações e manifestações nas cidades. "Além disso, o aumento de ocupações prediais e de terrenos tem a ver com a intensificação da pobreza, com a crise econômica e com o ambiente político. Estas ações podem ter uma recepção mais favorável por conta da opinião pública, em virtude da disseminação das informações", afirma o professor.

No final de setembro, manifestantes da ocupação Dandara queimaram pneus na Rua Luiz Camilo de Camargo, no Centro de Hortolândia. De acordo com uma das coordenadoras do movimento, Ana Paula Ribeiro, o ato foi uma reação à falta de negociações por moradias com a Prefeitura. Em agosto, diversas famílias acamparam em frente ao prédio da Administração exigindo que moradias fossem destinadas aos integrantes. A Secretaria de Habitação, por sua vez, pediu informações das famílias para inclusão no cadastro.

As manifestações e ocupações, segundo Galastri, são uma forma de o movimento chamar a atenção das instituições. "Já se tornou praticamente uma falácia a negociação por vias institucionais com governos, fazendeiros e empresários. Se conversando nada funciona, o único recurso é chamar a atenção para que a conversa comece a se desenvolver. Um dos recursos é a ocupação", explica. "Nessa relação de forças entre interesses de ricos e pobres, o diálogo não funciona se não houver pressões que, uma hora ou outra, escapam dos limites da institucionalidade".

Em Sumaré, a situação é parecida. Em resposta à reportagem, a Prefeitura afirmou que já realizou o cadastro habitacional de todas as famílias, onde foi constatada a participação de famílias de Campinas e Hortolândia e, em acordo, famílias que não tinham para onde ir poderiam ficar em um trecho da área ocupada. "O compromisso da Prefeitura e do governo federal era de viabilizar, por meio do 'Minha Casa, Minha Vida', moradias populares para atender essa ocupação e a demanda do município. Está em tramitação no Ministério das Cidades a proposta de construção de mais de duas mil moradias. A Prefeitura está no aguardo deste anúncio", respondeu a assessoria.

Prefeitura aceita apenas 130 famílias em lista

A Prefeitura de Hortolândia recusou parte dos cadastros entregues pelo MTST há duas semanas. De acordo com a coordenadoria do movimento, havia cerca de 510 famílias cadastradas, no entanto, somente 130 foram aceitas pela Administração. A lista com nome e origem das pessoas é necessária para a Prefeitura realizar o levantamento socioeconômico das famílias e comprovar quem mora na cidade, outro critério exigido para participar do programa habitacional. De acordo com a Administração, as famílias que comprovarem vínculo com a cidade nos últimos dois anos seriam incluídas no programa municipal.

O coordenador do movimento, Guilherme Simões, afirmou que a Prefeitura não havia cumprido um acordo firmado no final de 2009 para alocar famílias hortolandenses que estavam no acampamento Zumbi dos Palmares, em Sumaré.

Em Hortolândia, segundo a assessoria de comunicação, já foram construídas e entregues 1.374 moradias a famílias removidas de áreas de risco ou que estavam em situação de vulnerabilidade. Outras 1.069 habitações estão em fase de obras ou licitação, com contratos assinados e garantia de entrega até o final de 2012.
As ações somam um investimento de mais de R$ 35 milhões, além de R$ 60 milhões destinados à construção de unidades do "Minha Casa, Minha Vida". Há também projetos para construção de mais 2,3 mil moradias do programa estão em análise na Caixa Econômica Federal. A meta da Prefeitura é entregar cerca de cinco mil casas até o final do ano que vem.

Câmara aprova movimento e promete ajuda

Vereadores de Hortolândia estão apoiando as reivindicações por moradias feitas pelo MTST. George Burlandy (PR) é um dos que estão cobrando do Poder Executivo uma iniciativa que atenda aos pedidos do movimento. Na última sessão da Câmara, o vereador protocolou um projeto de lei, uma indicação, um requerimento e uma moção, todos pedindo a desapropriação da área para que seja criado um centro populacional que abrigue os manifestantes. No entanto, o projeto não foi votado, já que não caberia ao Legislativo decidir sobre a desapropriação.
"Ficou em consenso que mandaríamos para o Executivo como minuta de projeto de lei", explicou. "Comprometi-me com o movimento que faria dentro do Legislativo tudo o que fosse possível para poder ajudá-los, porque eu vi que o movimento é sério. A luta deles é séria e mais de 95% dos integrantes são de Hortolândia. São pessoas trabalhadoras e organizadas", comentou o vereador.

Os vereadores também aprovaram uma moção de apoio ao MTST, de autoria do presidente da Câmara, José Nazareno Gomes (PT). "Todo o Legislativo está aqui para apoiar os movimentos de luta por seus direitos. Nada mais do que justo as pessoas terem o direito pela moradia e estamos dispostos a fazer o possível para ajudar", comentou o presidente, na época.

Publicado em 23/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YLHn

Ministério Público investiga sorteio de moradias

Declarações feitas em sigilo afirmam que algumas pessoas que foram sorteadas teriam sido indicadas por vereadores e que cada um teria uma cota de indicações

O Ministério Público de Hortolândia está investigando denúncias de supostas irregularidades no sorteio de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no Jardim Minda. Declarações feitas em sigilo afirmam que algumas pessoas que foram sorteadas teriam sido indicadas por vereadores e que cada um teria uma cota de indicações. Além disso, moradores com renda superior ao limite de R$ 1,6 mil, estipulado pelo programa, também estariam na lista dos sorteados. A Promotoria instaurou um inquérito para apurar as denúncias que, se confirmadas, se caracterizariam como prática de improbidade administrativa.

De acordo com a representação, alguns vereadores teriam indicado pessoas para que fossem beneficiadas pelo programa, sendo que cada um deles teria recebido uma cota de indicações. Este fato, caso seja comprovado, implicaria na violação de princípios da Administração. Em resposta, a Administração informou que vereadores, secretários ou qualquer outra autoridade que não fosse jurídica não tiveram autonomia para indicar beneficiários do programa. A Câmara dos Vereadores não se manifestou ao ser questionada pelo assunto.

Além das denúncias, outra peculiaridade chamou a atenção na investigação do MP. Uma das sorteadas, Daniela Moreira Couto, foi contemplada duas vezes no sorteio, com o nome constando nas posições 422º e 479º. Em entrevista à reportagem do LIBERAL, Daniela contou que se cadastrou duas vezes no mesmo sorteio, em duas datas diferentes. "Ninguém me disse que eu não podia me inscrever outras vezes. Se pudesse me inscrever novamente, eu me inscreveria", explicou. A Prefeitura, por meio da assessoria de imprensa, explicou que a organização do sorteio optou por manter os dois cadastros na urna, uma vez que havia a possibilidade de serem de pessoas diferentes. Depois de confirmado que se tratava de uma única sorteada, foi decidido que ela teria direito a apenas uma moradia.

SORTEIO
No dia 18 de setembro, 250 famílias foram sorteadas para receberem as moradias do programa federal Minha Casa, Minha Vida, construídas no Jardim Minda. Do total de 500, 250 pessoas seriam indicadas pelo município e outros 250 seriam escolhidas por sorteio. O principal requisito para participar do programa é ter renda familiar bruta de zero até três salários mínimos.

Publicado em 22/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YJEB

Idoso processa Prefeitura por mau atendimento em PS

Em janeiro deste ano, o aposentado Braulino Rocha sofreu uma queda no banheiro de casa e teria fraturado o fêmur da perna esquerda














O aposentado Braulino Rocha, representado pela neta Natália Rocha Cambuim, está processando a Prefeitura de Hortolândia por mau atendimento e erro médico. Em janeiro deste ano, Rocha, de 77 anos, sofreu uma queda no banheiro de casa e teria fraturado o fêmur da perna esquerda.

Ao chegar ao posto de saúde do bairro Vila Real, a neta afirma que o avô foi tratado com descaso por parte dos médicos, que não diagnosticaram a fratura e não deram encaminhamento adequado. A ação pede uma indenização de R$ 763.080, por danos morais.

Natália conta que no dia 15 de janeiro, após o avô sofrer a queda, ela o levou para o posto de saúde localizado no bairro Vila Real. Lá, depois de reclamar da demora no atendimento e de ameaçar levar o avô até o Hospital Municipal Mario Covas, foi feito um exame de raio X e Rocha foi medicado para amenizar a dor na perna.

Dois dias depois, percebendo que a situação do avô piorava, Natália pediu ajuda a médicos de uma clínica de ortopedia, onde trabalhava. "Quando mostrei os exames de raio X, o ortopedista identificou na hora que se tratava de uma fratura no fêmur", conta.

O avô, então, foi encaminhado ao Hospital Municipal de Sumaré e, com o atraso do diagnóstico preciso, teve problemas para ser operado. Dez dias depois, no dia 27 de janeiro, Rocha teve alta com pinos no osso fraturado e debilitado fisicamente.

Indignada, a neta se exalta ao contar o que aconteceu após a cirurgia. "De lá pra cá, a situação do meu avô piorou. Ele era uma pessoa alegre, animada, e depois do acidente, ficou mais triste. Hoje, ele sofre de depressão e precisa de alguém para ajudá-lo a fazer tudo. Não foi só uma perda fisicamente, mas também psicologicamente", afirma.

No boletim registrado por Natália, ela relata que foi tratada com deboche pelos enfermeiros. "Se houvessem feito um trabalho sério, se não houvessem tratado com descaso meu avô teria sido operado antes e teria se recuperado melhor".

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Hortolândia respondeu que não foi informada oficialmente sobre a indenização e que assim que houver notificação, a Administração se pronunciará a respeito.

Foto: Neta de aposentado apresenta a radiografia que mostra a fratura no fêmur (Marcelo Rocha)

Publicado em 22/10/2011, no jornal O Liberal
http://migre.me/5YMVU

terça-feira, 7 de junho de 2011

Gracias, Ronnie!

Lembro-me da final da Copa de 98. Ronaldo e a expressão doentia. A trombada com Barthez. O fracasso de um grande camisa 9 e o apogeu de um grande camisa 10. Foi ali que comecei a me aproximar do futebol.

Quatro anos depois, um Ronaldo inspiradíssimo faria dois gols na final contra a Alemanha e o mundo iria ao seus pés. Não foi diferente comigo. Tornou-me um ídolo. Logo, a transferência para o Real Madrid, em agosto de 2002, me levou a me aficcionar por los que juegan en la calle de Concha Espina. Neste endereço, mais precisamente a localização do Santiago Bernabéu, estádio madridista, que vi (pela televisão, infelizmente) Ronaldo, ao vivo, marcar o primeiro gol contra o modesto Alavés.

Na beira do campo, ele ouve os recados do técnico Vicente Del Bosque e se prepara. Ao lado dele está Santiago Solari, meia, camisa 21. Mas Solari não havia marcado dois gols na final da última Copa do Mundo e nem fazia sua estreia pelo clube. Esta, quem fazia era Ronaldo.

A camisa 11 lhe sobrando nos cotovelos, a Mercurial Vapor prateada da final da Copa, um brinco na orelha esquerda e uma expressão seríssima no rosto. Estreno de Ronaldo!

Sai o garoto Javier Portillo. Entra Ronaldo. O jogo recomeça, Roberto Carlos domina na esquerda e lança. Uma bola que voa pelos ares foge dos zagueiros e encontra o peito de Ronaldo, onde estampa-se o escudo madridista. Um remate de primeira, consciente e feroz. Madridistas em euforia. O abraçam Cambiasso, depois Solari, Roberto Carlos, Zizou, Makelélé, Helguera, Hierro, Figo. "Viva el madridismo! Viva Ronnie!". Logo depois, un contra puxado por Zidane, que liga com McManaman e do inglês para Ronaldo. Golllllllll del Madrid! Golllllllll de Ronaldo, diria o narrador da Punto Radio. Foi ali que comecei a gritar hala Madrid!



Na mesma temporada, três gols em Old Trafford, numa quarta-de-final inesquecível de Champions contra o Manchester United de Beckham e Van Nistelrooy. E depois, mais gols e menos gols, e sua saída cabisbaixa do clube espanhol. Não importa. Aos madridistas, Ronaldo é uma lenda. Gracias, Ronnie!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Quem Dera

Certa noite, vinha de uma festa com meus pais e um senhor que cuidara do churrasco e havia pego uma carona conosco. Esse senhor trabalhou na prefeitura de Americana por muitos anos e hoje é aposentado. No meio do caminho, entre um assunto e outro, acabou nos contando algumas histórias e também uma de suas maiores decepções sofridas como funcionário público.

Num certo dia, lhe foi confiada a tarefa de depositar 480 mil reais em alguns bancos da cidade, já que trabalhava no departamento financeiro. O dinheiro estava dividido em quatro cheques de 100 mil e o resto em espécie. Após o vai e vem de um banco a outro, o senhor chegou na agência para depositar um dos cheques e se deu conta de que o havia perdido. Obviamente, ficou muito preocupado, haja vista, 100 mil reais não era quantia que se perdesse, principalmente por um mero subordinado do poder municipal. Revirou completamente a maleta que carregava os cheques, porém, nada encontrou. A tensão do momento fez com que a pressão do homem subisse e ele acabou sofrendo um derrame. Dois dias depois, no hospital, ele mesmo acabou encontrando o cheque dentro da própria maleta.

A decepção ocorreu quando o senhor já estava para conseguir a aposentadoria. A contragosto, ele foi convencido pelo prefeito da época a dar entrada nos procedimentos para se aposentar, pois, mesmo assim, ele ainda teria o emprego garantido. Então, acreditou na palavra do político e aposentou-se.

Após alguns meses parado, chegou a época de eleição e o senhorzinho, então, trabalhou intensamente a favor da candidatura do homem que lhe prometera a continuidade de seu cargo. O prefeito se reelegeu, entretanto, esqueceu-se da promessa que fizera ao funcionário e este acabou desempregado.

A situação vivida pelo homem ao perder os 100 mil reais parece impossível de acometer um político que desvia a mesma quantia dos cofres públicos, ou seja, um dinheiro que não é seu, mas sim de toda a população. Dificilmente, um prefeito sofrerá um derrame ao saber que os seus eleitores podem morrer diante das péssimas condições de um hospital que conta com o apoio da prefeitura.

É triste e vergonhosa a extrema ganância que nossos políticos têm e que culminam em manchas históricas não só na política, mas também no caráter do povo brasileiro. Quem dera a maioria dessa classe tivesse a preocupação com 100 mil reais como teve o senhorzinho churrasqueiro que conheci, quem dera tivéssemos uma maioria interessada em construir uma sociedade digna de se viver e não um luxuoso castelo para se morar.