Prefeitura solicitou 9 profissionais ao governo federal, mas só 3 foram encaminhados e 2 disseram não ao programa
O secretário de Saúde de Sumaré, José Eduardo Bourroul, admitiu a dificuldade na contratação de médicos para atuarem nas unidades do PSFs (Programa Saúde da Família) do município em entrevista exclusiva ao LIBERAL. Segundo Bourroul, a carência de profissionais é quase total, o que prejudica o atendimento em muitas unidades. A Secretaria de Saúde informou que, no mês passado, nove médicos foram solicitados ao Ministério da Saúde, por meio do Provab (Programa de Valorização do Profissional). Mesmo assim, ainda não houve sucesso na contratação. Somente três foram encaminhados pelo governo federal. Dois deles recusaram a trabalhar no município e a Prefeitura aguarda a resposta do terceiro. O secretário não soube precisar o déficit de profissionais.
As dificuldades ocorrem, inclusive, através dos concursos municipais. Bourroul revelou que no último, realizado em setembro do ano passado, houve aprovações, mas ninguém assumiu as vagas. O secretário ressaltou que não vê problemas com os salários oferecidos, mas acredita que a falta de interesse por parte dos profissionais contribui para a carência do setor. "A impressão que me dá é de que o médico não quer ficar preso a um contrato de trabalho. Ele vai para onde terá mais benefícios", frisou.
Em Sumaré, de acordo com informações da assessoria de imprensa da Saúde, a Prefeitura paga R$ 35 por hora trabalhada nos PSF's. A carga semanal total varia de 20 a 30 horas e prevê uma premiação sobre o tempo trabalhado. Um novo concurso dependerá de quantas vagas restarem e só poderá ser realizado após vencido o prazo do concurso de setembro. "É uma carência quase total. Psiquiatra, por exemplo, não tem e não é só aqui. Ginecologista e pediatra, também não. As especialidades são as mais complicadas, de um modo geral", lamentou Bourroul.
Empresa
No mês passado, a Prefeitura contratou a RPS Clínica Médica Ltda, que terá a missão de recrutar e selecionar médicos para atuar na cidade. O valor da contratação é de R$ 19,2 milhões e, segundo o secretário de Saúde, não se trata de uma terceirização dos serviços. "É sufoco mesmo. Se eu não consigo através de concurso, tenho que contratar uma empresa para fornecer os médicos. Não posso ficar sem. O ideal seria que todo mundo fosse concursado", explicou. Ainda assim, a contratação é investigada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), que no ano passado pediu o fim do contrato da cidade com a Oscip ACCB (Associação Civil Cidadania Brasil), encerrado em dezembro.
Os problemas enfrentados na contratação de médicos se espalham por todo o país. Segundo a CNM (Confederação Nacional dos Municípios), 1.228 municípios já pediram auxílio ao Ministério da Saúde, através do Provab, para conseguir preencher as vagas com profissionais recém-formados. Mesmo com as várias estratégias do governo, 233 cidades não atraíram nenhum profissional.
O Liberal, 17/04/2012
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