quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Jardim Nova Europa


O sonho de muitos brasileiros, principalmente dos mais jovens, é viver na Europa. O velho continente sempre teve a imagem do desenvolvimento e da prosperidade muito presente nas concepções populares. Mesmo em tempos de crises financeiras, há quem prefira trocar o Brasil de Dilma Rousseff por qualquer pedaço de terra do outro lado do Atlântico. 

Foi numa das pautas do dia a dia jornalístico que uma comparação me surgiu. Andando por Hortolândia, na semana passada, o bairro Jardim Nova Europa chamou minha atenção. O local é caótico. A rede de esgoto é precária, quase inexistente, e as ruas parecem vias rurais, dando a iminente sensação de que dar nome ao bairro de Nova Europa soa como uma demasiada pretensão. Ou apenas demasiada falta de senso para a denominação.

A semelhança com o continente, imagino eu, talvez fique por conta das vias esburacadas, das crateras que se espalham e outras peculiaridades. Claro, a Europa a qual me refiro pode ser encontrada até hoje nos livros de História, em retratos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, de preferência, os clicados pós-bombardeios e combates.

No bairro hortolandense, as contradições são perceptíveis. Da Rua Boa Vista, é possível enxergar no horizonte uma das empresas que fazem de Hortolândia uma cidade conhecida pelo crescimento econômico e pela arrecadação polpuda. Um contraste notável, uma situação lamentável. Atualmente, apenas 40% das casas do Jardim Nova Europa contam com ligação de esgoto. Na cidade, o número chega a 70%. Nas promessas do poder público, o objetivo é chegar a 100% até o final deste ano. Da mesma forma, a Prefeitura promete também asfaltar todas as ruas do município no mesmo período. As obras integram um pacote de R$ 28 milhões destinados à pavimentação. 

Quando o tema é meio ambiente, o município também patina. No ranking ambiental elaborado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, a cidade aparece apenas em 312ª, uma das piores da RMC (Região Metropolitana de Campinas), bem longe de ser premiada com o Selo Verde Azul.

Em pleno século XXI, numa das principais regiões do país, a jovem Hortolândia, prestes a atingir os 21 anos, ainda engatinha em questões fundamentais de infraestrutura urbana. Ainda assim, se gaba de ser a cidade que mais cresce no Brasil.Nos últimos sete dias, ao tomar conhecimento da reportagem e antes mesmo da publicação no último domingo, a Prefeitura tratou de anunciar e divulgar obras no Jardim Nova Europa. Uma notável rapidez que, infelizmente, parece não vingar em prol da população. Do jeito que está, a “Europa” hortolandense dificilmente será um sonho para se viver.

O Liberal, 12/04/2012

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