O sonho de muitos brasileiros, principalmente dos mais
jovens, é viver na Europa. O velho continente sempre teve a imagem do
desenvolvimento e da prosperidade muito presente nas concepções populares.
Mesmo em tempos de crises financeiras, há quem prefira trocar o Brasil de Dilma
Rousseff por qualquer pedaço de terra do outro lado do Atlântico.
Foi numa das pautas do dia a dia jornalístico que uma
comparação me surgiu. Andando por Hortolândia, na semana passada, o bairro
Jardim Nova Europa chamou minha atenção. O local é caótico. A rede de esgoto é
precária, quase inexistente, e as ruas parecem vias rurais, dando a iminente
sensação de que dar nome ao bairro de Nova Europa soa como uma demasiada
pretensão. Ou apenas demasiada falta de senso para a denominação.
A semelhança com o continente, imagino eu, talvez fique por
conta das vias esburacadas, das crateras que se espalham e outras
peculiaridades. Claro, a Europa a qual me refiro pode ser encontrada até hoje nos
livros de História, em retratos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, de
preferência, os clicados pós-bombardeios e combates.
No bairro hortolandense, as contradições são perceptíveis.
Da Rua Boa Vista, é possível enxergar no horizonte uma das empresas que fazem
de Hortolândia uma cidade conhecida pelo crescimento econômico e pela
arrecadação polpuda. Um contraste notável, uma situação lamentável. Atualmente,
apenas 40% das casas do Jardim Nova Europa contam com ligação de esgoto. Na
cidade, o número chega a 70%. Nas promessas do poder público, o objetivo é
chegar a 100% até o final deste ano. Da mesma forma, a Prefeitura promete
também asfaltar todas as ruas do município no mesmo período. As obras integram
um pacote de R$ 28 milhões destinados à pavimentação.
Quando o tema é meio ambiente, o município também patina. No
ranking ambiental elaborado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, a cidade
aparece apenas em 312ª, uma das piores da RMC (Região Metropolitana de
Campinas), bem longe de ser premiada com o Selo Verde Azul.
Em pleno século XXI, numa das principais regiões do país, a
jovem Hortolândia, prestes a atingir os 21 anos, ainda engatinha em questões
fundamentais de infraestrutura urbana. Ainda assim, se gaba de ser a cidade que
mais cresce no Brasil.Nos últimos sete dias, ao tomar conhecimento da
reportagem e antes mesmo da publicação no último domingo, a Prefeitura tratou
de anunciar e divulgar obras no Jardim Nova Europa. Uma notável rapidez que,
infelizmente, parece não vingar em prol da população. Do jeito que está, a
“Europa” hortolandense dificilmente será um sonho para se viver.
O Liberal, 12/04/2012
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