Cerca de 300 famílias do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) estão vivendo preocupadas na Ocupação Zumbi dos Palmares, no Jardim Denadai, em Sumaré. Elas temem que a reintegração de posse aconteça a qualquer momento já que estão ilegais no terreno particular. Segundo informações dos coordenadores do movimento local, um acordo firmado entre a Prefeitura de Sumaré e advogados dos proprietários e dos ocupantes da área venceu no dia 10 de fevereiro deste ano. Com isso, bastaria uma liminar expedida pela Justiça da cidade para que o local fosse desocupado pacificamente ou à força. Na última sexta-feira, 23, a reportagem do LIBERAL caminhou pelo assentamento, conversou com moradores e ouviu sobre o temor de que a situação possa se assemelhar ao "caso Pinheirinho".
Em 2010, as famílias conseguiram firmar um acordo para que permanecessem na área até o dia 10 de fevereiro deste ano, esperando pela construção das moradias via Governo Federal e Prefeitura. Uma das exigências para a permanência era a de que, ao final do prazo estipulado, as famílias saíssem independente da solução para o problema habitacional. Até então, a construção das casas está emperrada após o pedido de alteração nos projetos e a troca de empresas responsáveis. Não há previsão de que as 450 unidades sejam entregues.
Sem ter para onde ir, alguns dos moradores tocam o cotidiano temerosos do que vão encontrar após a volta do trabalho ou da escola. A coordenadora Lair Serra de Almeida, de 51 anos, explica.
"Se eles vierem até aqui para a desocupação, não vão acabar só com as moradias. Vão acabar com os trabalhos, com os colégios e com as creches que fazem parte da vida das pessoas".
Pinheirinho
A desocupação ocorrida em 22 de janeiro na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), foi citada por coordenadores da Ocupação Zumbi dos Palmares. Na época, surgiram críticas à atuação da Polícia Militar, que teria sido violenta de acordo com os moradores do local. De acordo com Lair, algumas famílias já deixaram a ocupação temendo que a ação pudesse se repetir. Desde o caso de São José e o fim do acordo, as reformas e a manutenção dos barracões já não ocorrem com frequência. A coordenadora Fátima da Silva, no entanto, garante que o grupo tenta manter a rotina e trabalha para que os problemas sejam resolvidos. "A coordenação tem feito reuniões para se informar sobre o andamento da construção das moradias e para passar os assuntos ao pessoal que vive aqui", conta.
Outro lado
A reportagem procurou a Administração Municipal, através do Departamento de Comunicação, informou sobre o fim do acordo e questionou sobre as providências que estariam sendo tomadas.
Como resposta, o Departamento afirmou que "as tratativas entre a Prefeitura e o proprietário da área estão mantidas, assim como representantes do Ministério das Cidades, MTST e promotores. Portanto, reintegração de posse é algo que não faz parte dos encaminhamentos desta questão". O advogado do Movimento também foi procurado, mas não houve contato até a noite de sexta-feira.
Ocupação no local é considerada precária
Pequenos comércios se espalham, um ao lado do outro, vendendo sorvetes, DVDs, brinquedos, roupas e outros produtos
Não fosse pela precariedade do local, a Avenida Zumbi dos Palmares, que corta todo o terreno da Ocupação, seria uma via comum. Logo na entrada da rua de terra e esburacada, pequenos comércios se espalham, um ao lado do outro, vendendo sorvetes, DVDs, brinquedos, roupas e outros produtos. Seguindo, os barracões começam a surgir, construídos com pedaços de madeira, telhas, papelões e qualquer coisa que seja suficientemente resistente.
Em algumas casas do local, é possível ouvir o som de videogames e encontrar antenas de TV por assinatura. Numa esquina, quatro crianças sequer notam a presença da reportagem e se divertem brincando com bolas de gude. Outras caminham com os cabelos penteados e os uniformes escolares rumo a EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil) Jardim Denadai.
A coordenadora Lair, que chegou à Ocupação logo no início, no final de 2009, conta que os problemas são muitos e cita alguns. "Quando chove é muito complicado, mas certa vez houve um incêndio e o pessoal da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) não conseguia achar o local porque não tinha a Ocupação no mapa. Deu o maior trabalho", relembra, com bom humor. Apesar da descontração, olhando ao redor, o local se mostra carente de qualquer tipo de infraestrutura. Uma opção indesejada por quem sobrevive por ali.
Famílias estão em fábrica ocupada de Sumaré
Pessoas viviam em uma ocupação entre os bairros Jardim Minda e Jardim São Jorge
Depois de serem despejadas, 22 famílias estão vivendo em um barracão da fábrica Flaskô, ocupada por funcionários em 2003, após falência. Elas viviam em uma ocupação entre os bairros Jardim Minda e Jardim São Jorge, em Hortolândia. No dia 24 de outubro do ano passado, a Polícia Militar realizou a reintegração de posse da área ocupada, onde mais de 500 famílias ligadas ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) estavam acampadas desde agosto do mesmo ano. No final da madrugada, cerca de 150 policiais chegaram à Rua Goiás, local do terreno de 71 mil metros quadrado ocupado pelas famílias do MTST. Alguns integrantes do movimento reclamaram de truculência dos policiais, mas a ação acabou sendo pacífica. A major do 48º Batalhão da Polícia Militar, Damicélia de Lima Kanno, coordenou a retirada das famílias e afirmou que os policiais estavam apenas cumprindo uma liminar expedida pela justiça hortolandense e que não houve qualquer reação por parte dos ocupados.
Em conversa com a reportagem do LIBERAL, o coordenador da antiga ocupação, Zezito Alves da Silva, explicou que o barracão da Flaskô abriga somente as famílias que não tem nenhum lugar para ir. Ele explicou que, ultimamente, o grupo não tem dialogado com a Prefeitura de Hortolândia, mas sim com o Governo Federal e com a Caixa Econômica Federal. "Há um projeto pré-aprovado de 200 unidades de uma construtora que deve ter entrada nos próximos dias na Caixa", afirmou.
O Liberal, 25/03/2012
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