Lembro-me da final da Copa de 98. Ronaldo e a expressão doentia. A trombada com Barthez. O fracasso de um grande camisa 9 e o apogeu de um grande camisa 10. Foi ali que comecei a me aproximar do futebol.Quatro anos depois, um Ronaldo inspiradíssimo faria dois gols na final contra a Alemanha e o mundo iria ao seus pés. Não foi diferente comigo. Tornou-me um ídolo. Logo, a transferência para o Real Madrid, em agosto de 2002, me levou a me aficcionar por los que juegan en la calle de Concha Espina. Neste endereço, mais precisamente a localização do Santiago Bernabéu, estádio madridista, que vi (pela televisão, infelizmente) Ronaldo, ao vivo, marcar o primeiro gol contra o modesto Alavés.
Na beira do campo, ele ouve os recados do técnico Vicente Del Bosque e se prepara. Ao lado dele está Santiago Solari, meia, camisa 21. Mas Solari não havia marcado dois gols na final da última Copa do Mundo e nem fazia sua estreia pelo clube. Esta, quem fazia era Ronaldo.
A camisa 11 lhe sobrando nos cotovelos, a Mercurial Vapor prateada da final da Copa, um brinco na orelha esquerda e uma expressão seríssima no rosto. Estreno de Ronaldo!
Sai o garoto Javier Portillo. Entra Ronaldo. O jogo recomeça, Roberto Carlos domina na esquerda e lança. Uma bola que voa pelos ares foge dos zagueiros e encontra o peito de Ronaldo, onde estampa-se o escudo madridista. Um remate de primeira, consciente e feroz. Madridistas em euforia. O abraçam Cambiasso, depois Solari, Roberto Carlos, Zizou, Makelélé, Helguera, Hierro, Figo. "Viva el madridismo! Viva Ronnie!". Logo depois, un contra puxado por Zidane, que liga com McManaman e do inglês para Ronaldo. Golllllllll del Madrid! Golllllllll de Ronaldo, diria o narrador da Punto Radio. Foi ali que comecei a gritar hala Madrid!
Na mesma temporada, três gols em Old Trafford, numa quarta-de-final inesquecível de Champions contra o Manchester United de Beckham e Van Nistelrooy. E depois, mais gols e menos gols, e sua saída cabisbaixa do clube espanhol. Não importa. Aos madridistas, Ronaldo é uma lenda. Gracias, Ronnie!